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Captação fica difícil para empresas de países emergentes

Companhias têm US$ 1,3 trilhão em dívidas e, segundo IIF, boa parte precisará de refinanciamento num cenário de forte volatilidade

Altamiro Silva Júnior, correspondente, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2015 | 02h02

NOVA YORK - As empresas de países emergentes vão encontrar um cenário mais difícil para captar recursos nos próximos meses, principalmente por causa da alta de juros nos Estados Unidos e da expectativa de volatilidade alta no mercado financeiro internacional.

As companhias têm US$ 1,3 trilhão em dívidas vencendo até 2020 e parte importante vai precisar de refinanciamento, de acordo com estimativas do Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos maiores bancos do mundo. Só em 2016, são quase US$ 300 bilhões em bônus vencendo.

Brasil, China, Rússia, México, Índia e Coreia do Sul são os países emergentes onde as companhias mais se endividaram em moeda estrangeira, sobretudo dólar, desde a crise de 2008, apontam estudos do IIF e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que têm alertado para os riscos dos aumentos desses passivos.

Na sua última agenda de políticas econômicas, o FMI avalia que o aumento dos passivos em dólar de empresas no Brasil e outros emergentes cria riscos para a estabilidade financeira desses mercados.

O IIF calcula que a dívida das empresas não financeiras dos países emergentes passou de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 para 80% atualmente, por conta do acesso fácil ao mercado externo, com juros próximos de zero nos países desenvolvidos e com investidores à procura de papéis com retorno mais alto.

"Rolar esses montantes será muito mais desafiador em um ambiente com mercados mais voláteis e menos líquidos", afirmam os economistas do IIF em um relatório.

A alta de juros nos Estados Unidos, mesmo que seja um fenômeno gradual, deve encarecer os custos de captação das empresas no mercado internacional, alertam economistas do FMI. Além disso, a desaceleração da China, que pode reduzir o ritmo de crescimento da economia mundial, afeta diretamente as operações de algumas grandes companhias de países emergentes, exportadoras para o país asiático, que passam a contar com menos receita em moeda estrangeira.

O jornal The New York Times citou em reportagem recente os problemas que vêm sendo enfrentados pela Vale, que tem sido obrigada a se desfazer de ativos para lidar com a queda dos preços do minério de ferro.

Proteção. Já o IIF chama a atenção para que parte da dívida das companhias de emergentes pode não estar "adequadamente protegida" dos riscos crescentes das oscilações das moedas, o que aumenta os riscos de falências de empresas por causa da valorização do dólar frente às principais moedas do mundo, das quais o real brasileiro vem sendo uma das que mais perdeu valor em 2015.

Além de afetar a atividade econômica de países exportadores de commodities e as operações das empresas, a desaceleração da China, se ocorrer em ritmo mais forte que o esperado, pode manter elevada a volatilidade no mercado financeiro, o que dificulta ainda mais a emissão de bônus no exterior.

"Os investidores continuam inquietos e propensos ao pessimismo", afirma o estrategista da gestora de recursos Nuveen Asset Management, Robert Doll.

Ele destaca que o apetite por risco se reduz neste contexto. "A volatilidade deve permanecer elevada", prevê.

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