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Carnaval de rua tira dinheiro de escolas de samba

- Atualizado: 06 Fevereiro 2016 | 16h 04

Petrobrás, Caixa, Coca-Cola e Brasil Kirin reduziram ou cortaram marketing no sambódromo; escolas também perderam para blocos de rua

As escolas de samba do Rio e de São Paulo tiveram desafios adicionais este ano para desfilar com glamour na avenida. Além de acertar os passos e entrosar a bateria, os carnavalescos tiveram de organizar o desfile com orçamentos reduzidos. Tradicionais anunciantes, como Petrobrás, Caixa, Coca-Cola e Brasil Kirin reduziram ou até cortaram ações de marketing no sambódromo e patrocínios às escolas. Em alguns casos, a culpa é da crise. Em outros, as escolas perderam recursos para o ascendente carnaval de rua brasileiro.

Só a Petrobrás, que nos últimos cinco anos destinou cerca de R$ 12 milhões às escolas do Rio, cortou a verba em 80% este ano. E os R$ 2,4 milhões que a estatal concedeu às escolas saiu às vésperas do carnaval. No caso da Petrobrás, a culpa é da crise. “Essa decisão faz parte de um esforço de redução dos valores dedicados à atividade de patrocínio, em função da atual situação da companhia”, diz a Petrobrás, em comunicado.

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A Coca-Cola, que anunciou no sambódromo nos últimos 20 anos, deixou de ter um camarote na Sapucaí em 2015 e cortou também os anúncios no sambódromo neste ano. “Não há corte na verba de marketing da companhia (em 2016). Trata-se de uma decisão estratégica de direcionar investimentos para os Jogos Olímpicos do Rio”, afirma a empresa.

É normal na área de marketing patrocinadores irem e virem. Mas o fato é que este ano esse movimento trouxe um orçamento menor. “Perdemos uns 30% dos patrocinadores do ano passado e conseguimos uns 20% novos”, diz o presidente da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, Paulo Sérgio Ferreira. Ele afirma que o espetáculo não está comprometido e que as escolas conseguiram fazer belas alegorias com ajustes de custo trocando, por exemplo, materiais importados por nacionais.

A Liesa, do Rio, também sentiu dificuldade nos patrocínios deste ano. “Além da crise, o carnaval foi mais cedo. Atropelou tudo”, diz o diretor comercial da Liesa, Hélio Motta.

As ligas das escolas negociam com as marcas espaços para anúncios na avenida e a venda de camarotes corporativos. Pela primeira vez em seis anos, a Liesa não conseguiu vender todos os seus 410 camarotes e distribuiu 36 deles entre as escolas. “O problema foi os espaços pequenos, de 18 lugares, afetados pela crise”, afirma o coordenador geral de vendas da Liesa, Heron Schneider. Segundo ele, as vendas já estavam fracas em 2015, tanto que a Liesa desistiu de reajustar preços dos espaços – que vão de R$ 50 mil a R$ 800 mil. “Antes tinha fila para comprar. Ano passado vendemos tudo nos 45 do segundo tempo. E este ano sobrou camarote”, conclui.

As ligas de São Paulo e Rio ignoraram a inflação e seguraram os preços dos ingressos para tentar lotações maiores e compensar a perda de patrocínio. “Fizemos ajustes no calendário, para colocar desfiles de escolas com grande torcida nos dois dias. E seguramos o preço do ingresso. Esperamos um público maior”, explica Ferreira.

Algumas escolas vão desfilar sem patrocinadores. É a primeira vez desde 2000 que isso ocorre com a Unidos da Tijuca. Ano passado, seu samba enredo homenageou a Suíça e ganhou patrocínio da Nestlé.

“Vamos falar de agronegócios este ano e esperávamos o patrocínio do município de Sorriso (MT), que não ocorreu”, diz o presidente da escola, Fernando Horta. Além dos patrocínios, as escolas recebem repasse de direito de imagem da Rede Globo e uma participação na venda de ingressos. O desfile da Unidos da Tijuca custa cerca de R$ 13 milhões, mas faltarão R$2,5 milhões para a escola fechar a conta.

Enquanto marcas saem do carnaval, outras conseguem seu espaço. Um dos sócios da Frooty Açaí, Rogério Oliveira, sugeriu em 2011 à escola paulista Pérola Negra um enredo sobre açaí. Neste ano, o tema emplacou na X-9 Paulistana. “Somos líderes de mercado, quanto mais pudermos fomentar a cultura do açaí, melhor para nosso negócio”, explica. A Frooty Açaí, que produz 70 toneladas por dia do produto, é exportadora, ganha com a alta do dólar e cresceu 30% em 2015.

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