Flávio Tavares/Hoje em Dia - 25/10/2017
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CCR vai à Justiça contra mudança no Aeroporto da Pampulha

Para executivo da concessionária que opera Confins, reabertura de Pampulha para voos de longa distância será prejudicial para os dois terminais

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Surpreendidos pela portaria do Ministério dos Transportes que reabre para voos de longa distância o Aeroporto da Pampulha, os concessionários do Aeroporto de Confins vão entrar na Justiça para tentar barrá-la. “Vamos entrar questionando a portaria”, disse ao Estado o presidente da Divisão de Aeroportos do Grupo CCR, Ricardo Bisordi. O grupo espera obter uma decisão liminar que suspenda os efeitos da portaria até o julgamento do mérito.

Desde 2004, Pampulha opera apenas voos regionais. O fluxo de passageiros estava concentrado em Confins, na mesma cidade, concedido à iniciativa privada em 2013. “Estudos do próprio governo mostram que a reabertura de Pampulha é prejudicial aos dois terminais”, disse o executivo. Isso porque a quantidade restrita de passageiros deverá provocar uma concorrência predatória. “Foi uma decisão política, isso foi amplamente noticiado”, afirmou Bisordi. “A publicação da portaria coincidiu com outra data importante para o governo.”

A portaria saiu no mesmo dia em que a Câmara discutiu e rejeitou o pedido de abertura de investigação contra o presidente Michel Temer e os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral, Wellington Moreira Franco.

Técnicos e assessores políticos dizem que a medida era pleito do PR, um partido com 38 deputados que domina o Ministério dos Transportes e a Infraero. Além de reabrir Pampulha para voos regulares, o governo também sacramentou anteontem a saída de Congonhas do programa de concessões, outro objeto de pressão da bancada.

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“Pampulha e Congonhas não eram pleito do partido”, afirmou o líder do PR na Câmara, deputado João Rocha. “Isso é programa de governo.” A presidência do PR informou, por nota, que “não negociou votos”. Na quarta-feira, deputados do partido ficaram a favor de Temer.

Fonte do Ministério dos Transportes informou que o governo avalia, dentro do contrato de concessão de Confins, formas para que o aeroporto possa conviver com a retomada de voos de longa distância na Pampulha. Ela disse, ainda, que não há no contrato de concessão nada que garantisse exclusividade dos passageiros a Confins. O crescimento do número de passageiros cria condições para a adoção dessa medida, disse.

Ontem, em um evento, o prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PHS) apoiou a mudança. “Os políticos que só usam jatinho descem é lá (na Pampulha). Eles não vão até Confins. Eu, que vou, sei como é difícil.” / COLABOROU LEONARDO AUGUSTO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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