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Economia

Dilma Rousseff

Cenário de queda de Dilma é ‘incontornável’, diz economista

Sérgio Vale, da MB Associados, acredita que o mais provável é que a presidente caia antes do meio do ano por meio de um processo de impeachment acelerado

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Álvaro Campos,
O Estado de S.Paulo

17 Março 2016 | 16h05

Após os acontecimentos de quarta-feira, 17, o cenário de queda da presidente Dilma Rousseff está dado "de forma incontornável", segundo o economista Sérgio Vale, da MB Associados. Ele diz que é difícil prever se Dilma cairá no curto prazo, mas acredita que isso deve acontecer antes do meio do ano. "Acho que o mais provável é um processo de impeachment acelerado, como aconteceu com o Collor, algo em torno de um mês", comenta.

Vale afirma que um eventual governo Michel Temer começaria com um momento de euforia, mas a transição até 2018 não será fácil. "Será um governo novo, com uma nova relação com o Congresso, provavelmente com o apoio do PSDB e de alguns partidos para aprovar reformas mínimas, mas ainda assim seria um momento politicamente conturbado até 2018", opina.

Ele lembra que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa supostas irregularidades na chapa Dilma/Temer na campanha de 2014 e que o Congresso eleito naquele ano ainda tem uma base de esquerda forte.

O economista aponta que, em 1992, a oposição ao então presidente Collor era total dentro do Congresso, o que levou Itamar Franco a assumir com amplo apoio. O mesmo não acontecerá com Temer. Além disso, Itamar conduziu a criação do Plano Real e conseguiu entregar o governo a seu sucessor, em 1995, em condições razoavelmente boas. "Já Temer terá cerca de dois anos e meio para promover um forte ajuste fiscal e um processo de desinflação. Será um trabalho muito duro, muito intenso."

Nesse contexto, Vale estima que o PIB brasileiro deve cair 3,8% este ano e subir 0,6% em 2017 e 1,5% em 2018, caso Dilma realmente caia. Se ela ficar no governo, a contração este ano poderá ser maior do que 5%. "Em qualquer caso, só vamos ter um cenário mais tranquilo mesmo em 2019", afirma o economista da MB.

O analista prevê que a campanha presidencial de 2018 será bastante competitiva, provavelmente com um grande número de candidatos de todos os espectros ideológicos. "É possível que a polarização PT x PSDB, que dominou o cenário político nos últimos anos, perca força".

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