Cenário é positivo para e-commerce mas há cautela com estrangeiros

Entre as mudanças nas carteiras de ações da semana, a Guide retirou a Vale e incluiu a Smiles

Fátima Laranjeira e Karin Sato, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2017 | 05h00

Na semana da Black Friday, os analistas avaliaram como está o cenário para ações de empresas de e-commerce. Na opinião da Coinvalores, o panorama é positivo. “Acreditamos que principalmente para as que são integradas, isto é, que aliam o comércio eletrônico ao varejo tradicional, e priorizem a rentabilidade, resguardando as margens, há boas perspectivas”, destaca o analista Felipe Silveira. Também para Carlos Soares, da Magliano, a perspectiva tanto para as empresas de comércio eletrônico quanto para as varejistas em geral segue positiva diante do cenário de retomada do consumo previsto para os próximos trimestres.

A Santander Corretora, porém, mantém uma visão cautelosamente otimista. “Embora os resultados trimestrais das principais companhias tenham mostrado evolução satisfatória, o comércio eletrônico é um dos setores com as menores barreiras à entrada para atuação no Brasil, o que torna a guerra de preços cada vez mais intensa e investimentos recorrentes em logística ainda mais necessários para sobreviver”, diz o estrategista de Pessoa Física, Ricardo Peretti, se referindo ao ingresso de concorrentes estrangeiros no País.

Entre os resultados positivos ele lembra a B2W, que voltou a gerar caixa no terceiro trimestre, e a Magazine Luiza, que manteve o ganho de market share - suas vendas online já representam 30% do total, diz.

O analista do Santander destaca ainda que notícias, como o acirramento da concorrência da Amazon, mostram que outras gigantes do e-commerce mundial ainda não aportaram no Brasil, como, por exemplo, a Alibaba, o que pode representar ainda mais competição. “Em linhas gerais, continuamos positivos com as varejistas de comércio eletrônico no curto prazo, dado o recente avanços dos resultados trimestrais, embora reservemos uma menor parcela do portfólio recomendado total a estas empresas, que continuarão sendo vistas como investimento mais agressivos por ora.”

Vitor Suzaki, analista da Lerosa, acredita que há pressões fortes vindas de competidores externos, considerando o curto prazo, em especial o Mercado Livre. “Esta empresa tem crescido fortemente em cima de uma base já grande, pois é o atual líder do mercado, contando com capitalização do seu recente IPO nos EUA e com ofertas mais agressivas, como o frete grátis.”

Na sua avaliação, a Amazon não deve ser um “competidor irracional”, já que tem uma visão de longo prazo onde atua. Ele lembra ainda que para contornar esta situação, Magazine Luiza e mais recentemente a Via Varejo adotaram a estratégia de vender no mundo virtual com retirada do produto nas lojas físicas, sem custo adicional. “A alternativa pode começar a ser implantada para a B2W no curto prazo com retirada na sua controladora (Lojas Americanas).”

Entre as mudanças nas carteiras de ações da semana, a Guide retirou a Vale e incluiu a Smiles. Na visão dos analistas, a companhia vem reportando resultados sólidos. “A empresa tem registrado avanço na geração operacional de caixa, melhora na eficiência e apresentado evolução significativa no lucro líquido”, afirmam, ressaltando que, na carteira, continuam a balancear o portfólio com ativos mais “resilientes, blindados ao cenário político mais incerto, e outros que tendem a se beneficiar de eventos específicos”.

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