Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Centrais sindicais querem medir forças com o governo Temer

Dirigentes das maiores centrais sindicais do País descartaram greve geral, e estabeleceram calendário de manifestações para pressionar o governo contra reformas da Previdência e trabalhista

Ricardo Rossetto, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2016 | 19h00

SÃO PAULO - Em reunião realizada nesta quarta-feira, 19, na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo, os líderes das maiores centrais sindicais do  País descartaram a ideia inicial de promover um dia de greve geral. Os dirigentes decidiram organizar duas datas de mobilizações para "demonstrar força" e pressionar o governo de Michel Temer contra a PEC do Teto e as reformas da Previdência e trabalhista. 

Segundo Sérgio Nobre, secretário-geral da CUT, os dirigentes sindicais acertaram duas datas de paralisações, nos dias 11 e 25 de novembro. O objetivo é  conscientizar a população sobre a "tirada de direitos dos trabalhadores". Segundo o dirigente, serão realizadas diversas ações diferentes em todos os Estados. Algumas categorias irão paralisar suas atividades por algumas horas, enquanto outras realizarão passeatas e outros eventos em praças públicas. "Ninguém quer fazer greve geral. Queremos impedir que essa tragédias das reformas previdenciária e trabalhista aconteçam", afirma Nobre. 

O secretário-geral da Força Sindical, José Carlos Gonçalves, o Juruna, garantiu que as principais centrais sindicais do País, como a União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e Conlutas estão alinhadas na campanha, cujo slogan é "Nenhum Direito a Menos". "As mobilizações têm o impacto de acumular forças e demonstrar nossa insatisfação com as reformas do novo governo", explica Juruna. Ele esclarece que os sindicatos não são contrários à reforma da Previdência, mas defendem a manutenção de algumas regras para a aposentadoria, como a da idade mínima para obtenção do teto do benefício.

A expectativa dos dirigentes é de que as mobilizações ganhem impacto com a adesão de profissionais do setor de transportes, como os aeroviários, ferroviários e metroviários. Além disso, de acordo com Juruna, trabalhadores dos setores químico e têxtil já tinham marcado as paralisações da sua campanha salarial no dia 25 de novembro, o que deve contribuir para engrossar o movimento. 

Apesar de considerar o governo de Micher Temer ilegítimo, a CUT disse que se colocará à disposição para dialogar sobre temas relacionados aos direitos dos trabalhadores sempre que for convocada. "A CUT não nasceu para defender nenhum governo. As medidas econômicas que o Temer está implementando agora foram rejeitadas na eleição passada", diz Nobre.

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