Rafael Marchante/REUTERS
Rafael Marchante/REUTERS

Chinês Haitong abandona marca Besi e promete ampliar operação no País

Segundo maior banco de investimento da China já fez ‘roadshow’ com investidores e bancos nacionais

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2015 | 05h00

Nove meses após comprar os ativos de banco de investimento do Banco Espírito Santo, o grupo chinês Haitong conseguiu autorização de órgãos reguladores de mais de uma dezena países, entre eles o Banco Central brasileiro, para concluir a aquisição feita em dezembro de 2014, por ¤ 397 milhões. A operação vai envolver a imediata troca da marca em todo o mundo. O segundo maior banco de investimento da China diz que a mudança do nome será combinada com um aumento de investimentos em várias subsidiárias, incluindo a brasileira.

 

A compra do Besi, braço de investimentos do Banco Espírito Santo, deu-se depois da criação do Novo Banco – empresa que reuniu os ativos de qualidade da instituição. As dificuldades do Grupo Espírito Santo, um dos donos da Portugal Telecom, sócia da operadora brasileira de telefonia Oi, ficaram evidentes quando a Rioforte, outra holding que pertencia ao grupo, deu um calote de ¤ 897 milhões na PT. A operação afetou a imagem da Oi e expôs os problemas estruturais enfrentados pelo conglomerado português. 

A ordem do Haitong é deixar o Besi para trás. Para virar a página, o grupo vai dedicar as próximas semanas à contextualização do grupo Haitong – cujo valor de mercado era de US$ 42 bilhões em maio, segundo o jornal Financial Times – para os atuais e futuros clientes, disse ao Estado ontem o presidente do Haitong Bank, José Maria Ricciardi, que pertence à família Espírito Santo e foi mantido pelos chineses à frente do banco de investimento. “A marca do Banco Espírito Santo foi completamente destruída (pelas repercussões dos escândalos), então não fazia mais sentido mantê-la”, afirmou.

O objetivo da instituição é mostrar que a troca será benéfica: “Mesmo quando o BES estava nas alturas, sempre havia uma limitação de capacidade por causa do tamanho da economia de Portugal.” Uma campanha de marketing, que será realizada nos 15 países onde o braço de investimentos estava presente, vai tentar deixar claro que o nome Haitong vem acompanhado de uma capacidade bem maior de investimento. 

No Brasil, segundo Ricciardi, será mantido o atual comando da operação, que deve ganhar nas próximas semanas um reforço na área de investimentos. O objetivo, diz o executivo, é continuar as contratações no País, apesar da crise econômica. “Não digo que seremos o maior banco de investimentos do Brasil, mas certamente entraremos para o time das instituições de primeira linha.” 

Ponte para a Ásia. O objetivo é que a filial brasileira do Haitong Bank sirva como uma “ponte” para a atração de investidores chineses para empresas locais e para a possibilidade de explorar emissões nos mercados da Ásia. “Temos um banco no Brasil, e não uma mera subsidiária”, disse o executivo. “E ainda temos o Bradesco como sócio, com uma participação de 20%.”

Ao longo de 2015, o Besi fez um “road show” com os principais investidores institucionais e bancos brasileiros para explicar as possibilidades de negócio. O banco está interessado nas áreas de commodities, infraestrutura e também em private equity (compra de participações em empresas).

Segundo ele, a internacionalização dos investimentos é uma necessidade chinesa à medida que o crescimento do mercado interno começa a se enfraquecer. “O que os bancos de investimento chineses querem agora é o mesmo que os americanos fizeram no passado: usar o dinheiro da economia interna para crescer no exterior.” Ricciardi diz que bancos como Goldman Sachs e o Merrill Lynch cresceram com essa estratégia no passado. São passos que agora o Haitong tenta seguir.

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