Chinesa assumirá obras de unidade de gás do Comperj

Licitação de R$ 1,94 bi teve a Shandong Kerui Petroleum como vencedora; contrato será assinado até o fim do mês

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2018 | 05h00

Uma empresa chinesa foi escolhida em licitação da Petrobrás para retomar as obras do Comperj, refinaria em construção em Itaboraí, na região metropolitana do Rio, cujas obras estão paradas desde 2015. O consórcio formado pela chinesa Shandong Kerui Petroleum e pela Método Potencial receberá R$ 1,94 bilhão para terminar a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN). O contrato será assinado até o fim deste mês, segundo uma fonte próxima à estatal ouvida pelo Estadão/Broadcast.

O Comperj é um dos símbolos dos desvios na Petrobrás investigados pela Operação Lava Jato. Atrasos nos cronogramas e suspeitas de sobrepreço nos contratos com construtoras fizeram a estatal ter uma perda bilionária com o empreendimento. O Tribunal de Contas da União (TCU) calculou que as obras do Comperj geraram prejuízo de US$ 12,5 bilhões.

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De 2005, quando começou a construção, a 2015, o Comperj consumiu cerca de US$ 13 bilhões em investimentos e teve seu projeto reformulado de um complexo petroquímico, capaz de produzir insumos básicos para a produção de plástico, para uma refinaria focada em processamento de diesel. Desde a paralisação das obras, a conclusão da primeira unidade de refino não tem data prevista e foi condicionada à entrada de sócios. 

Frequentemente, empresas chinesas são citadas como parceiras em potencial. No caso da UPGN, a Shandong Kerui Petroleum entra como fornecedora, e não como sócia. 

Pré-sal. Mesmo com a reformulação no projeto do Comperj, a Petrobrás seguia tocando a UPGN porque ela será responsável por escoar o gás natural produzido nos campos do pré-sal. A unidade tem de ficar pronta a tempo de receber o gás natural que será produzido a partir de 2021 na área de Libra, na Bacia de Santos. 

Sem a UPGN, não há para onde escoar o gás. A opção seria queimar o combustível nas plataformas, o que traria prejuízo ambiental, financeiro e geraria multa por parte da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O gás chegará à UPGN por um gasoduto, com trechos no mar e na terra. 

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A construção da UPGN já consumiu R$ 500 milhões e estava sendo tocada por um consórcio formado por Queiroz Galvão, Tecna e IESA Óleo e Gás, até ser suspensa no segundo semestre de 2015, com 30% da infraestrutura concluída. Cerca de 800 trabalhadores foram demitidos na ocasião. A Queiroz Galvão e a IESA Óleo e Gás foram citadas nas denúncias de pagamento de propina e formação de cartel apuradas na Lava Jato.

Na virada de 2016 para 2017, a Petrobrás resolveu retomar as obras da unidade de gás, cancelando o contrato com o consórcio anterior a fazendo nova licitação. A intenção da estatal de contratar fornecedores estrangeiros chegou a gerar reclamações na indústria local. 

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