Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Economia & Negócios

Economia » Chineses receberão cartilha de orientação sobre trabalho escravo

Economia & Negócios

Chineses receberão cartilha de orientação sobre trabalho escravo

No Rio, Ministério Público do Trabalho vai distribuir informativo em mandarim para imigrantes

0

O Estado de S. Paulo

04 Maio 2015 | 12h04

O Ministério Público do Trabalho (MPT), em parceria com a Arquidiocese do Rio de Janeiro, vai distribuir uma cartilha em mandarim para orientar imigrantes chineses sobre direitos trabalhistas. 

A iniciativa se deve a casos recentes de trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão. Durante fiscalização, o MPT descobriu a existência de um entreposto no Rio em que donos de lanchonete escolhem seus empregados. No mês passado, cinco chineses foram encontrados em uma lanchonete no Rio trabalhando em jornadas exaustivas e com o pagamento retido. No local, até mesmo carne de cachorro foi encontrada no freezer. 

Segundo a Agência Brasil, o material está em fase de finalização e ainda não há data para distribuição. Elaborado em português, o manual será traduzido para o mandarim e entregue aos imigrantes.

"Na prática, eles são catequizados com a ideia de que, se constatada que a mão de obra deles está sendo explorada no País sem documentos, eles serão deportados. É uma informação errada", diz à Agência Brasil a auditora fiscal do MPT, Márcia Albernaz de Miranda.

A auditora ressalta que os trabalhadores encontrados em situação degradante são registrados e recebem carteira de trabalho. 

Números. Segundo dados do Registro Nacional de Estrangeiros, do Ministério da Justiça, existem atualmente 35.444 chineses com registro ativo permanente no Brasil e 1.867 temporários. Nos dados do Conselho Nacional de Imigração, a China não está entre os dez países que têm mais pedidos de autorizações para concessão de visto ou residência permanente no Brasil, nem entre os dez com mais pedidos por questões humanitárias.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o número de autorizações para trabalho temporário no país feito para chineses diminuiu. Foram 2.362 em 2011, 2.891 em 2012, 2.115 em 2013 e 1.348 em 2014, sendo que o Rio de Janeiro é o principal destino dos trabalhadores temporários estrangeiros.

Para autorizações de trabalho permanente, a China aparece em quarto lugar, atrás da Itália, do Japão e de Portugal. Em 2014, foram 276 autorizações para chineses. O pedido para trabalhar no Brasil deve ser feito pela internet, antes da viagem, e deve ser acompanhado também de um pedido de visto no consulado brasileiro no país de origem. (Com informações da Agência Brasil).

Mais conteúdo sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.