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PETAR KUJUNDZIC | REUTERS

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Chineses ricos começam a tirar dinheiro do país

Com altos e baixos da economia, cidadãos pedem a parentes ou amigos que transportem para fora da China até US$ 50 mil por pessoa

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Keith Bradsher,
THE NEW YORK TIMES

16 Fevereiro 2016 | 05h00

HONG KONG - À medida que a economia chinesa tropeça, as famílias ricas cada vez mais começam a transferir enormes somas de dinheiro para fora do país, preocupadas com uma forte desvalorização do yuan e das suas economias.

Para contornar os controles mantidos pelo país, os indivíduos pedem a amigos ou familiares para transportarem ou transferirem US$ 50 mil por pessoa, limite legal anual estabelecido na China. Um grupo de 100 pessoas pode transferir US$ 5 milhões para o exterior.

A prática é chamada “smurfing”, nome dos personagens de quadrinhos azuis, parecidos com um cogumelo, e faz parte de um êxodo de capital que levanta dúvidas quanto às perspectivas econômicas da China e tem agitado os mercados globais. No ano passado, empresas e indivíduos enviaram quase US$ 1 trilhão da China para fora do país.

Alguns métodos são perfeitamente legais, como o investimento em imóveis em qualquer lugar, a compra de empresas no exterior e pagamento de dívidas contraídas em dólares. Outros, como o smurfing, são mais dúbios e, em alguns casos, totalmente ilegais. No ano passado, as autoridades alfandegárias prenderam uma mulher que tentava deixar o continente com US$ 250 mil escondidos no peito, coxas e dentro dos sapatos.

Se o governo não conseguir impedir os cidadãos de procurarem uma saída financeira, as perspectivas da China podem se tornar sombrias. O volume de saídas é uma força desestabilizadora numa economia em desaceleração, pois ameaça corroer a confiança e afeta o sistema bancário, que vem lutando com um excesso de empréstimos que já dura uma década.

A fuga de capital vem pressionando o yuan. O governo, para evitar uma queda livre, tem interferido nos mercados e recorrido às suas enormes reservas para sustentar a moeda. Mas uma forte redução dessas reservas pode provocar novas fugas e criar turbulência nos mercados.

A China também vem tentando frear as saídas aumentando o controle sobre os vínculos do país com o sistema financeiro global. O governo começou a adotar medidas drásticas contra o uso de cartões bancários para compra de apólices de seguro de vida no exterior.

Mas os limites impostos geram preocupação de que o governo vem recuando nas reformas que o país precisa fazer para manter a economia crescendo nas próximas décadas. E a pressão a curto prazo também exige uma séria atenção, diante das ondas de choque globais.

“A moeda se tornou uma real ameaça a curto prazo para a estabilidade financeira”, disse Charlene Chu, economista da Autonomous Research.

Enfrentar esses problemas é algo muito novo para a China. Durante anos o país absorveu grande parte do investimento do mundo, ao mesmo tempo que a economia crescia a taxas anuais de dois dígitos. Um sistema financeiro muito fechado mantinha os próprios recursos da China presos no país.

Agora, com a desaceleração do crescimento, o dinheiro vem jorrando para fora. E o controle das saídas pelo governo não é mais tão rígido porque, nos últimos anos, algumas restrições monetárias foram eliminadas com o propósito de abrir a economia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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