Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Chineses vão tocar obras da linha de transmissão de Belo Monte

Aneel repassou à companhia State Grid trechos que não foram executados pela espanhola Abengoa, em crise financeira

André Borges, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2017 | 05h00

BRASÍLIA - As obras atrasadas da linha de transmissão da hidrelétrica de Belo Monte trocaram de dono. Depois de mais de um ano gasto em disputas judiciais, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) retirou da espanhola Abengoa os trechos das obras que a companhia não executou, repassando esses projetos para a chinesa State Grid.

É grande a preocupação do governo com a conclusão da linha de transmissão, que precisa estar pronta para distribuir energia da hidrelétrica em fevereiro do ano que vem. A linha de mais de 2 mil km de extensão, entre Pará e São Paulo, é erguida pela concessionária BMTE, liderada pela chinesa State Grid.

A execução desse empreendimento tem caminhado para cumprir seu prazo, mas a linha depende de alguns trechos e subestação de energia que pertenciam à Abengoa para que entre em operação. A companhia espanhola adquiriu os projetos em leilão em 2013, mas não executou nenhuma obra.

Além da linha da BMTE, há ainda previsão para que outra rede paralela, da concessionária XRTE, também controlada pela State Grid, seja acionada em dezembro de 2019. Essa malha também precisa que os trechos da Abengoa estejam em ordem para poder entrar em operação.

Ao decidir por retirar o projeto da companhia espanhola, que quebrou financeiramente, a Aneel argumentou que, além de não ter meios de escoar a energia da hidrelétrica em construção em Vitória do Xingu (PA), o custo desse atraso teria de ser pago por cada um dos consumidores de energia de todo o País. O prejuízo foi estimado em mais de R$ 1,5 bilhão ao ano.

Imbróglio. No acordo firmado entre a Aneel e a concessionária BMTE, o investimento previsto para a subestação que era da Abengoa será de R$ 69 milhões, custo bancado com o aumento de receita a ser paga para a concessionária. A autorização foi dada em março, com previsão de que as obras sejam executadas no prazo máximo de 12 meses.

O ministro de Minas e Energia (MME), Fernando Coelho Filho, já admitiu que há riscos de a energia gerada pela hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, não ter condições de ser 100% distribuída para o País a partir do início de 2018, por conta de atrasos nas obras da principal linha de transmissão que vai se conectar à usina.

Depois de tentar resolver o imbróglio que envolve as obras que serão executadas pelos chineses para escoar a energia para a região Sudeste, falta dar um destino a outros projetos da Abengoa que ainda não têm solução. A empresa é dona do contrato do chamado “linhão pré-Belo Monte”, um projeto de 1.854 km de extensão que segue para a região Nordeste e que está parado.

PARA LEMBRAR

Até maio, a usina hidrelétrica de Belo Monte havia colocado a sua quinta turbina de 611,1 megawatts (MW) para funcionar. Mais 13 máquinas desse porte entrarão em operação, chegando a 18 unidades na casa de força principal. Pelo cronograma, a cada dois meses, uma nova turbina dessas é acionada. Na casa de força complementar, onde funcionam equipamentos de menor porte, as seis unidades geradoras com 38,8 MW cada já estão em operação. A capacidade instalada total será de 11,2 mil MW.

 

Mais conteúdo sobre:
Belo Monte Aneel Energia

Encontrou algum erro? Entre em contato

0 Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.