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Economia

Energia

Chuva enche reservatórios e hidrelétricas abrem as comportas

Reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste passam de 39%, mais que o dobro de janeiro do ano passado

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Rene Moreira,
Especial para O Estado

21 Janeiro 2016 | 19h59

As chuvas que se intensificaram a partir do fim de 2015 foram bastante sentidas pelos reservatórios das usinas. Em algumas hidrelétricas as comportas voltaram a ser abertas devido ao grande volume armazenado. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema), nesta quinta-feira, 21, o nível dos reservatórios do Sudeste/Centro Oeste - que respondem por 70% da capacidade de armazenamento do país - estavam acima de 39%, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado (17%).

Na Usina de Furnas, a represa subiu quatro metros em dois meses e o nível atual é de 759,54 metros em relação ao nível do mar. Já a hidrelétrica de Marimbondo - que de 13% da capacidade (em janeiro do ano passado) opera hoje com mais de 80% - teve de abrir as comportas no último domingo, 17, permanecendo assim por três dias, até esta quarta, 20. As comportas tinha sido abertas pela última vez em 2011.

A chuva é sentida em diferentes regiões do Sudeste. No Triângulo Mineiro, neste ano, os reservatórios das cinco usinas hidrelétricas estão em média 250% acima do volume registrado em janeiro do ano passado. Na usina de Água Vermelha o nível de água em janeiro deste ano é 307% maior, enquanto que na Usina de Emborcação está 175% acima de igual período de 2015.

No Rio Grande, que abastece usinas importantes do Sudeste, é possível notar a diferença. Voltou a ter água onde se via pedras. Em outros mananciais o volume também subiu, caso da Bacia do Paranapanema, entre o Paraná e São Paulo, onde os três principais reservatórios (Capivara, Chavantes e Jurumirim) estão com nível de armazenamento acima de 90%.

Turismo. Se para os reservatórios a chuva é boa, para o turismo também vem trazendo bons resultados. "A procura está intensa, são quase cem pessoas por dia nesse período de férias", conta Mozart Alves, dono de um hotel em Capitólio (MG), na região do Lago de Furnas.

Segundo ele, os turistas tinham sumido com a seca do reservatório, mas agora voltaram a visitar a região. Ele estima em mais de 40% o aumento na movimentação do hotel. Pousadas próximas também comemoram a alta do lago e em algumas as reservas já foram quase todas preenchidas até o final de janeiro. 

Conta. Apesar da melhora nos reservatórios das hidrelétricas, principais fontes de geração de eletricidade no Brasil, as contas de energia não devem sofrer redução. Pelo menos em curto prazo, segundo especialistas, a bandeira tarifária vai continuar vermelha, pois, na melhor das expectativas, somente a partir de março poderá mudar para verde - o que causaria a redução da tarifa.

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