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Chuvas ao final do mês podem induzir florada no café; beneficia floração precoce

REUTERS

18 Agosto 2014 | 17h 35

Chuvas previstas para o final de agosto e início de setembro em São Paulo e Minas Gerais beneficiarão alguns cafezais que tiveram florada precoce e também poderão induzir a uma nova floração nas demais áreas produtoras de café, disseram meteorologistas nesta segunda-feira.

"Para os cafezais, esta chuva que pode ocorrer no final de agosto pode disparar uma florada do café adulto. E aí vai depender muito da abrangência destas chuvas", disse o meteorologista da Somar Marco Antonio dos Santos.

Ele pondera que o ideal seria que não ocorressem chuvas ao fim de agosto, porque normalmente elas não têm a continuidade necessária para sustentar as floradas nesta época, e neste caso pode haver "baixo pegamento" das flores para a safra de 2015.

Santos acrescentou que as chuvas costumam ser mais frequentes e ganhar regularidade somente a partir do final de setembro.

Com a colheita de uma fraca safra em 2014 --severamente afetada pela seca-- caminhando para o final, cada vez mais os participantes do mercado vão olhar para as floradas.

Já o meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo, ressaltou que a chuva prevista para o final do mês não deverá se estender até partes do cerrado, como aconteceu em julho e também podem ter intensidade menor.

"Pode ter chuva boa, mas não chega a ser como em julho, que avançou até a região do Triângulo Mineiro. Neste próximo evento, é um passo mais para trás, deve pegar o interior de São Paulo até parte do Sul de Minas", disse Nascimento.

FLORADA PRECOCE

As chuvas previstas para o final do mês e início de setembro serão precedidas por um período seco, o que traz alguma preocupação.

Mas essas chuvas esperadas para o final do mês, somadas às precipitações do último final de semana, ajudam no pegamento do café daquelas regiões que tiveram uma florada antecipada, com a umidade do final de julho.

Houve florada precoce em área de 10 a 15 por cento do parque cafeeiro dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, que juntos representam cerca de 60 por cento da produção nacional, na avaliação de Santos, agrometeorologista da Somar.

As chuvas na região no último fim de semana, embora não tenham sido generalizadas, trouxeram algum benefício para as plantas em áreas em que a florada teve um início um precoce, concordou outro meterologista da Somar, Celso Oliveira.

Oliveira disse que nas áreas onde choveu, Baixa Mogiana e sul de Minas Gerais, houve alguma melhora na umidade do solo.

No final de julho, a chegada de uma frente fria trouxe chuvas generalizadas em áreas de São Paulo e Minas Gerais, mas ele observou que ainda não é possível estimar se os volumes também serão equivalentes desta vez.

"Naquele período chegou a chover até mais de 70 milímetros no Triângulo Mineiro", acrescentou.

(Por Fabíola Gomes)