JF Diorio/Estadão
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Ciro Gomes se aproxima de Nelson Marconi, da FGV

Presidenciável do PDT fez duas reuniões no fim do ano passado na casa do economista em São Paulo

Luiz Guilherme Gerbelli, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2018 | 05h00

O pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, se aproximou nos últimos meses do economista Nelson Marconi, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em busca de propostas para seu programa de governo.

A equipe do presidenciável já fez duas rodadas de reuniões no fim do ano passado na casa do economista em São Paulo. Os encontros foram em novembro e em dezembro. O próximo deve ser ocorrer no fim de março. Nas reuniões, Ciro foi acompanhado pelo irmão e ex-governador do Ceará, Cid Gomes, e pelo secretário da Fazenda do Estado, Mauro Benevides Filho.

Marconi faz parte da Associação Keynesiana Brasileira (AKB) e integra o grupo dos pesquisadores do Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo, também da FGV. Nos últimos anos, participou de forma ativa do debate econômico. Criticou, por exemplo, a valorização cambial e a perda de participação da indústria na economia.

“Ciro tem um projeto de desenvolvimento para o País, o que não significa necessariamente o mesmo estilo Dilma”, afirma Marconi. “Ele tem clareza de que é preciso alguns preços macroeconômicos ajustados, câmbio competitivo, a taxa de juros mais baixa, e poupança pública para poder financiar os investimentos públicos.”

Na atual pré-campanha, Ciro tem procurado se posicionar como um nome de centro-esquerda e, nas questões econômicas, procura adotar um discurso mais moderado como forma de fazer um contraponto ao PT.

A assessoria do presidenciável informou que Marconi tem colaborado com a discussão do programa de governo e que deve ter um papel importante na campanha presidencial.

O primeiro contato entre Ciro e Marconi ocorreu em julho de 2016 quando o presidenciável participou de um evento interno no Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo.

Em janeiro de 2017, voltaram a se encontrar por meio do ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira.

Nas reuniões realizadas no fim do ano passado, houve a participação de economistas de diversas instituições de ensino – da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Unicamp e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) – , de nomes do mercado financeiro, dirigentes de associações e empresários.

“Não são necessariamente pessoas que apoiam o Ciro, mas elas têm interesse em conhecer as propostas e eventualmente dar sugestões”, diz Marconi.

Pontos. Os principais pontos econômicos já discutidos deverão ser detalhados nos próximos meses, mas existem indícios para onde deve caminhar o plano de econômico de Ciro.

Na parte fiscal, o grupo discute a possibilidade de ter um regime de capitalização. “Não seria uma mudança abrupta, mas é preciso pensar se é possível fazer essa transição e como fazer”, diz Marconi.

Os economistas também se mostram contrários ao teto dos gastos. “O consenso dentro do grupo é de que precisa haver uma controle de gastos, mas que não necessariamente vai ser o teto. Precisamos garantir o investimento público, controlar os gastos correntes, a questão da dívida e, talvez, fazer algum modelo que permita ao Estado gastar mais em momentos de crise e que ele compense isso quando estiver crescendo”, diz.

Na área tributária, o grupo discute uma simplificação tributária e uma estrutura mais progressiva, ou seja, tributar mais a renda do que a produção.

 

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