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Cisão de empresas não beneficia investidor

Agencia Estado

22 Fevereiro 2001 | 14h 54

As operações de cisão envolvendo companhias abertas são bem vistas pelos especialistas, entretanto nem sempre se traduzem em ganho para os investidores. Em alguns casos, as ações nascidas com a nova empresa acabam sendo desprezadas pelo mercado. Um levantamento feito pela Economática (wwww.economatica.com.br) mostra que, nas quatro últimas cisões realizadas por empresas brasileiras, os papéis resultantes da operação perderam valor. Entretanto, é possível verificar que as ações das empresas originais tiveram alta após a reestruturação. A pesquisa considerou a separação Bradesco - Bradespar e outros três casos: Varig - Varig Participações em Serviços Complementares (VPSC) e Varig Participações em Transportes Aéreos (VPTA); Randon Participações - Rasip Agropastoril; e Lojas Americanas - São Carlos Empreendimentos. Um exemplo marcante é o de Varig, no qual as ações da empresa remanescente subiram 55% desde a cisão (25/08/2000) até o pregão de ontem. No mesmo intervalo, os papéis da VPTA registraram queda de 50% e os da VPSC, de 0,6%. Diversos motivos são apontados pelos especialistas para explicar esse movimento. Na opinião de Marcelo Paixão, sócio do portal financeiro eFuturo, na maioria das vezes as companhias tentam separar negócios distintos acreditando que a soma dos dois valerá mais do que o principal sozinho. O benefício para os acionistas, segundo ele, é a maior transparência sobre as atividades da empresa. Um dos problemas, citado pelo analista da Investidor Profissional, Alexandre Rocha, é que por vezes as parcelas cindidas são pequenas e tais papéis acabam não tendo liquidez na Bolsa. Some-se a isso o fato de as empresas resultantes serem focadas em negócios sem tradição no mercado de capitais, como é o caso da Rasip, empresa de maças, e o da São Carlos Empreendimentos, do setor imobiliário. Um indicativo da diferença de interesse do mercado entre as empresas originais e as cindidas é o volume financeiro negociado. Enquanto Randon negociou desde a cisão (23/06/1999) um total de R$ 28,2 milhões, a Rasip acumulou R$ 5 milhões. No caso de Lojas Americanas, giro financeiro dos papéis preferenciais registrado a partir da operação (20/09/1999) foi de R$ 319,9 milhões, frente a 58,8 milhões da São Carlos. Tais fatores, apontam os especialistas, fazem com que os investidores que recebem esses papéis se desfaçam em seguida da posição. "Quem comprou Lojas Americanas queria uma empresa de varejo e não do setor imobiliário", comenta Fábio Alperowitch, analista da Fama Investimentos. Outro ponto levantado por Alperowitch é o fato de que, muitas vezes, os novos papéis chegam ao mercado com um valor que supera as expectativas. O interesse dos investidores acaba, em alguns casos, ajustando os preços para baixo.

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