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REUTERS/Paulo Whitaker

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Citi venderá operações de varejo no Brasil, na Argentina e na Colômbia

Decisão do 3º maior banco dos EUA de sair de países onde não possui presença relevante já estava no planejamento estratégico da instituição em 2014; no País, banco continuará apenas com os serviços voltados para empresas

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Fernanda Guimarães e Cynthia Decloedt,
O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2016 | 07h56

O Citigroup decidiu colocar à venda as suas operações de varejo no Brasil, na Argentina e na Colômbia. Segundo apurou o ‘Broadcast’, serviço em tempo real da ‘Agência Estado’, a operação do Citi no México, na Venezuela e sua participação no Banco do Chile não estariam nesse pacote.

Os executivos do banco foram formalmente comunicados da decisão da matriz em uma reunião realizada ontem. Procurado, o Citi não comentou o assunto.

A saída de países onde o banco não possui presença relevante já estava no planejamento estratégico da instituição, apresentado ao mercado no fim de 2014. Segundo uma fonte, no ano passado o Citi sondou o mercado sobre a venda de sua área voltada para os consumidores no Brasil, principalmente na época em que o HSBC negociava a venda de sua subsidiária brasileira. A operação do Citi nesses países tem baixa escala e o segmento do varejo não está entre os que oferecem retorno. Os últimos dados do Banco Central, de dezembro de 2014, mostram o Citibank na 11ª posição entre as maiores instituições do País em volume de ativos.

Os comentários no mercado são de que o Itaú e o Santander seriam as únicas instituições no Brasil com capacidade financeira e sinergia para absorver a rede de agências do Citi, uma vez que o Bradesco ainda tem de digerir a aquisição do HSBC. Conversas entre o Citi e o Itaú já teriam ocorrido quando o banco norte-americano ainda tinha em seu comando Gustavo Marin, que deixou o Citi em 2012.

Potenciais interessados. Profissionais dizem, no entanto, que a demora para aprovação da aquisição do HSBC pelo Bradesco no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), sob alegação de concentração bancária, pode fortalecer a hipótese de a rede de agências do Citi ser oferecida a alguma instituição estrangeira. “Um chinês, árabe ou coreano, que não tenha medo da exposição ao Brasil”, afirmou uma fonte do mercado.

Com a decisão, o Citi oferecerá no País apenas os serviços corporativos, voltados às empresas. O banco já colocou à venda, desde o ano passado, sua participação na adquirente Elavon, que opera as “maquininhas” de cartões. Entre os interessados nessa aquisição estaria o Banco do Brasil e o Bradesco, mas o negócio, no momento, está em compasso de espera.

O desejo do Citi de se desfazer da fatia na Elavon é antigo. O banco perdeu o interesse na operação em meio à demora do lançamento da empresa no Brasil, que ainda enfrentou problemas operacionais, fazendo com que seus resultados ficassem abaixo do esperado.

Além da área de varejo, o banco tem forte atuação na área de “corporate”, principalmente no segmento premium de commercial banking. O banco é uma das instituições que trabalha na busca de um comprador da BR Distribuidora, da Petrobrás.

Em 2014, o terceiro maior banco dos Estados Unidos anunciou a interrupção das operações de varejo na Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Nicarágua, Panamá e Peru. O Citi está presente em 101 países como banco comercial. No Brasil, iniciou suas operações em 1915 e foi o maior interlocutor do País na renegociação de sua dívida externa com bancos norte-americanos e com o Fundo Monetário Internacional (FMI), após o calote na década de 1980.

Os ativos do Citi no Brasil somam R$ 70 bilhões e o banco tem atualmente, em todas as suas operações, cerca de 5 mil funcionários.

Só com terremoto. Em entrevista ao Broadcast em novembro do ano passado, o presidente do banco, Hélio Magalhães, disse que o Citi não cogitava tirar os pés do País e que, se algum banco o procurasse para compra receberia um não. Mas admitiu que o Citi buscava um perfil mais conservador e seletivo para enfrentar os percalços da economia, depois de ter repaginado sua operação, priorizando a alta renda e multinacionais. “Conhecemos esse País. Temos clientes que estão conosco há quase 100 anos. Esse valor é muito grande para nós. Não tem preço essa operação a não ser que o Brasil não tivesse futuro e não é o caso. Só sairíamos daqui se acontecesse um terremoto, mas não vai acontecer. Sabemos disso”, disse ele na ocasião.

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