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Economia

PIB

Colapso

A mediana das projeções reveladas ontem pela Pesquisa Focus do Banco Central aponta para uma retração do PIB em 2016 de 3,21%

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Celso Ming

10 Fevereiro 2016 | 20h52

Ainda não foram publicados os resultados do PIB de 2015, mas já se sabe que foi um desastre. A queda da renda nacional em relação ao ano anterior deve ter ficado próxima dos 4%.

 

Os analistas também não vinham esperando muita coisa de 2016. As primeiras projeções apontaram para nova decepção, para nova queda do PIB de alguma coisa em torno dos 2,0%. No entanto, de algumas semanas para cá, o tombo esperado para o ano ficou muito maior. A mediana das projeções reveladas ontem pela Pesquisa Focus do Banco Central aponta para uma retração do PIB em 2016 de 3,21%.

Alguns grandes bancos já começam a trabalhar com números ainda mais frustrantes. As projeções do Itaú Unibanco, como avisou dia 3 seu presidente, Roberto Setúbal, variam no intervalo de menos 2,5% e menos 5,0%. O Credit Suisse espera contração próxima dos 4,0%. A Consultoria MB Associados projeta queda do PIB de 4,1%, caso a presidente Dilma consiga livrar-se do impeachment, o que parece mais provável.

Enfim, as expectativas vêm se deteriorando à medida que os problemas se acumulam. Se esses números dos analistas se confirmarem, a queda acumulada do PIB em dois anos se aproximará ou poderá até ultrapassar os 8%, algo inédito na história econômica recente do País.

O ministro Joaquim Levy, que ocupava a pasta da Fazenda em 2015, foi demitido porque, argumentavam seus adversários, só pensava naquilo. Só pensava no ajuste e não cuidava do crescimento econômico e do emprego - como se fosse possível garantir crescimento sustentável com um rombo do Tesouro de mais de R$ 80 bilhões por ano. Seu sucessor, Nelson Barbosa, continua pondo ênfase no ajuste fiscal e não vem obtendo melhores resultados, porque tudo continua emperrado, a começar pelas questões políticas.

A presidente Dilma não consegue apontar a saída para o rombo das contas públicas. A única proposta apresentada até agora como resposta imediata à crise foi o aumento de impostos. O resto só vem a longo prazo, como é o caso da reforma da Previdência que, no entanto, continua sendo rechaçada até mesmo dentro do seu governo, como não esconde o ministro do Trabalho, Miguel Rossetto.

Quem centra as soluções no aumento de impostos pouco interessado está na melhora do ambiente de negócios que puxariam pelos investimentos e pela retomada do emprego. O Brasil já tem uma carga tributária próxima dos 35% do PIB, que afoga a atividade produtiva. Mais impostos seria nova rodada de asfixia.

A melhora do ambiente dos negócios pressupõe ataque às causas da crise, mas não exige vitória imediata sobre elas. Exige apenas decisões firmes na direção correta. A Argentina do novo presidente Mauricio Macri não resolveu nenhum dos problemas que provocaram o definhamento de sua economia ao longo dos governos do casal Kirchner e, no entanto, as emissões de sinais na direção correta foram suficientes para a retomada da confiança.

É também o que falta por aqui. 

CONFIRA

O gráfico mostra a evolução tanto da oferta quanto da demanda global de petróleo conforme cálculos da Agência Internacional de Energia.

Juros negativos

Em depoimento feito nessa quarta-feira na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) afirmou que, se viesse a ser necessário, o Fed decretaria juros negativos, decisão que chegou a ser pensada em 2010. Mas, além de avisar que essa hipótese é remota, Yellen disse que há dúvidas de que a lei autorize a novidade.

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