Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Bovespa deixa de ser a maior bolsa de valores da América Latina

Alta do dólar e queda das ações tiraram da bolsa brasileira a liderança na região, que agora é ocupada pelo mercado acionário do México, de acordo com dados da Economatica

Fátima Laranjeira, O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2015 | 19h17

A BM&Bovespa perdeu o título de maior mercado acionário da América Latina para a Bolsa de Valores do México, segundo cálculos da provedora de informações financeiras Economatica. De acordo com os dados, o valor de mercado de todas as companhias mexicanas somou US$ 478,8 bilhões nesta quarta-feira, 23, ultrapassando o das brasileiras (US$ 471,6 bilhões). 

"O maior valor de mercado das empresas brasileiras (em amostras mensais) aconteceu no mês de abril de 2011, quando atingimos US$ 1,53 trilhões. Em 54 meses (de abril de 2011 até setembro de 2015), a Bovespa perdeu US$ 1,05 trilhão", informa a Economatica. Já as empresas mexicanas atingiram seu máximo em agosto de 2014, com valor de mercado de US$ 625,7 bilhões.

A alta do dólar em relação ao real teve peso importante na mudança de posição entre as bolsas. "Um dos fatores que influenciaram a queda do valor de mercado no Brasil foi a valorização do dólar pois, no período de dezembro de 2010 até o dia 23 de setembro de 2015, o dólar Ptax (taxa de referência para a moeda americana calculada pelo Banco Central) se valorizou 146,31%, enquanto no México a valorização foi de 38,02%", afirma a Economatica.

No início do mês, a Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, mostrou que a bolsa brasileira estava prestes a ser ultrapassada pela mexicana. Dados do Bank of America Merrill Lynch (BofA) indicavam que, em 2011, a BM&FBovespa tinha uma vantagem de US$ 1,1 trilhão em relação à rival. 

De acordo com os números do BofA, o maior mercado do mundo é o dos Estados Unidos, com capitalização da ordem de US$ 20 trilhões. Em seguida, aparece o Japão, com US$ 3 trilhões, e o Reino Unido, com US$ 2,7 trilhões.

A bolsa mexicana tem basicamente o mesmo nível de sofisticação da Bovespa, em termos de variedade de produtos e garantias, mas o giro diário é muito menor. Isso ocorre porque a estatal mexicana de petróleo, a Pemex, não tem capital aberto, assim como os dois maiores bancos privados do país. Lá, os principais setores da bolsa são os de telecomunicação, mineração e indústria. Neste ano, o mercado mexicano teve quatro ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), de volumes baixos. No Brasil, por enquanto, houve só o da Par Corretora. 

Em entrevista ao Broadcast, há duas semanas, o especialista Alexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer, explicou que o tamanho, no caso do mercado acionário, faz diferença, principalmente para o investidor estrangeiro, que acaba optando por uma praça onde há mais gente querendo negociar. 

Como agora as bolsas mexicana e brasileira estão com um tamanho parecido, isso deixa de ser um grande diferencial para a Bovespa. Para o investidor, é mais fácil entrar ou sair quando um papel tem boa liquidez. 

A economia mexicana é bastante ligada à norte-americana, que está dando sinais claros de recuperação. Enquanto isso, o Brasil sofre com a desaceleração da China, que afeta os preços das commodities, e também com as incertezas do cenário político. A situação brasileira ficou ainda mais crítica com o rebaixamento do País, no dia 9 de setembro, pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

Mais conteúdo sobre:
bovespa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.