Amanda Perobelli/Estadão - 20/10/2017
Amanda Perobelli/Estadão - 20/10/2017

Com aportes de R$ 300 milhões, Dr. Consulta prepara forte expansão

Empresa, que oferece consultas e exames, ocupou parte do espaço perdido pelos planos de saúde na crise e começou a atrair também a classe A; no próximo ano, rede passará das atuais 45 para 75 clínicas

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 05h00

O Dr. Consulta, rede de clínicas particulares criada em 2011, se prepara para o maior “salto” em número de unidades desde sua fundação. A rede, que hoje tem 45 clínicas em São Paulo, vai abrir mais 30 unidades em 2018 – um salto de 66% em apenas um ano. O objetivo é aumentar a presença no interior do Estado e começar a se estruturar para uma posterior atuação nacional. 

Idealizador e presidente da Dr. Consulta, o executivo Thomaz Srougi vem de uma família de médicos e passou os primeiros três anos do negócio na favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo. Foi só em 2014, após uma fase de testes do modelo, que a empresa iniciou sua fase de expansão. A companhia atraiu capital estrangeiro – seis fundos internacionais já investiram no projeto US$ 95 milhões (mais de R$ 300 milhões), dinheiro que está sendo totalmente investido em novas clínicas e equipamentos.

Srougi contou ao Estado que as clínicas já dão lucro, mas que, ao menos pelos próximos 15 anos, todos os recursos gerados pela companhia serão reinvestidos em ativos. Segundo o executivo, que já trabalhou em gigantes como a fabricante de bebidas Ambev e a construtora Gafisa, a atração de investidores levou esse foco no longo prazo em consideração. “Não poderia ter fundos que têm data para deixar a operação. Nos Estados Unidos, foi mais fácil encontrar o tipo de investidor para a nossa necessidade”, disse.

Embora tenha sido idealizada para atender a nova classe média, a rede hoje tem um perfil de clientela mais heterogêneo, conforme Srougi. Segundo a empresa, que tem consultoria de Vicente Falconi em sua gestão, 10% dos pacientes atendidos pertencem à classe A e 20% têm plano de saúde. 

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De acordo com o fundador da Dr. Consulta, a missão do negócio é clara: oferecer consultas e exames a preços competitivos, garantindo rapidez no atendimento. É com essa proposta que a empresa vem atraindo tanto quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto os consumidores que já tiveram contato com companhias privadas de saúde.

A visibilidade da Dr. Consulta já motivou o surgimento de algumas concorrentes. Entre elas está a Cia. da Consulta, fundada em 2017 e que atraiu investidores como Marcel Telles (um dos fundadores da Ambev), Elie Horn (dono da Cyrela) e José Victor Oliva, empresário da noite. Por enquanto, porém, a companhia tem apenas uma unidade na Sé, centro da capital paulista. A empresa diz ter outras clínicas em construção, mas não revela quantas inaugurações estão previstas para o ano que vem.

Para Srougi, o modelo proposto da Dr. Consulta modificou a lógica do setor de saúde no Brasil. “Durante muito tempo, a ordem era enviar um boleto para o plano de saúde”, disse o empresário. “Então, foi preciso começar do zero, corrigindo os problemas, que eram ineficiência, médicos insatisfeitos e pacientes mal tratados.”

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Escolha. Para Paulo Furquim de Azevedo, diretor do Centro de Estudos em Negócios do Insper, a Dr. Consulta acertou ao priorizar o nicho mais barato da saúde: a consulta e os exames. “É uma lógica diferente do plano de saúde, que, na verdade funciona como um seguro. A pessoa paga para não ficar sem atendimento caso tenha um acidente, uma doença”, diz o professor. “É uma forma de proteção, pois, como se sabe, é impossível para 99,5% da população pagar uma internação longa de forma particular.”

Sócio da consultoria Pactor, Alexandre Pierantoni afirma que alguns planos de saúde – como o Prevent Senior, especializado no atendimento de idosos – já vêm focando na prevenção, incentivando clientes a comparecer a consultas e a realizar exames, para reduzir custos com internação e cirurgias. Para Azevedo, do Insper, a lógica do sistema de saúde no País precisa mudar, pois “empurra” todos para os hospitais, justamente o elo mais custoso da cadeia.

 

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