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Com Belo Monte, Altamira tem dias de cidade grande

Renée Pereira - O Estado de S. Paulo

14 Junho 2014 | 18h 19

 Desde que a bilionária Hidrelétrica de Belo Monte, no oeste do Pará, começou a ser construída, Altamira vive dias de cidade grande. O trânsito é caótico, a população não para de crescer e os índices de criminalidade aumentam. Por outro lado, o município ganhou novas redes de varejo, obras de infraestrutura e novos projetos comerciais, como shopping centers. Por enquanto, a população só consegue ver a parte ruim. Se antes a opinião sobre a usina era dividida, hoje a maioria se diz contra.

A principal reclamação é com os constantes congestionamentos e com o aumento da criminalidade. Em menos de três anos, a frota de automóveis cresceu 83%. A de motocicletas, 113%. A cidade tem sido campeã nacional na comercialização de motos. Apenas numa loja são vendidas entre 130 e 150 unidades por mês - número que ajuda no aumento de acidentes no trânsito. Nos últimos três meses, duas mortes de ciclistas chocaram a cidade. Uma delas ocorreu na Avenida Djalma Dutra, principal rua de Altamira, onde a bicicleta da vítima está pendurada no poste do semáforo, como forma de protesto.

“Só estamos vendo os malefícios da obra. Aqui era tranquilo. Agora vira e mexe uma pessoa morre atropelada”, afirma o guarda de trânsito Mizael Carneiro. Outro problema causado pelo aumento da frota é a falta de lugar para estacionar. Sem espaço disponível nas ruas estreitas da cidade, os raríssimos estacionamentos cobram preço semelhantes aos de São Paulo. Uma hora custa R$ 10. Um mês, R$ 390. “Tanto transtorno não compensa”, diz Ocleci Polla, dona de uma loja de chocolates.

Além do aumento de carros e motos nas ruas, os congestionamentos têm sido causados por obras de saneamento, que interditam várias ruas. Como parte do Projeto Básico Ambiental, a Norte Energia - concessionária de Belo Monte - está construindo 220 quilômetros (km) de rede de esgoto e 170 km de tubulações de água potável. Até agora foram concluídos 134 km de esgotamento sanitário e 108 km de rede de água. A oferta de água potável na cidade será reforçada com a construção de oito reservatórios.

Hoje Altamira não tem sistema de coleta e de tratamento de esgoto e o atendimento de água encanada é restrito a 14% do município. A obra colocará a cidade entre as poucas do Estado com saneamento básico. Mas, como nem tudo pode ser perfeito, a grande polêmica do momento é quem fará a ligação entre residências e rede, diz o empresário Waldir Antonio Narzetti. 

Como as casas foram construídas sem essa infraestrutura, o investimento para se conectar ao sistema deve ficar por volta de R$ 4 mil - dinheiro que muitos moradores não têm. A Norte Energia fará todo o investimento da rede e, quando concluída, entregará para a prefeitura. Mas, segundo Narzetti, a discussão é que a responsável pelo saneamento da cidade é a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), que não consegue resolver nem os problemas de vazamento. 

O empresário conta que outro investimento de extrema importância para a cidade já tem sentido os efeitos da má gestão. A Norte Energia construiu um aterro sanitário e entregou para a prefeitura. “Mas já está dando problema, pois não tem recebido o tratamento adequado.” 

Narzetti questiona a lentidão dos investimentos da Norte Energia, mas reconhece que se a usina não estivesse em construção a cidade nunca teria saneamento básico ou asfalto no trecho urbano da Transamazônica. “Espero que todo o transtorno de hoje possa ser traduzido em melhorias no futuro.” A chegada da hidrelétrica transformou a cidade num canteiro de obras. Os outdoors anunciam venda de espaços em galerias, construção de shoppings, universidades e bairros planejados. Hoje há entre 8 e 10 loteamentos sendo vendidos. Altamira ganhou até um hotel em formato de castelo.

Por outro lado, o aumento do número de trabalhadores na hidrelétrica - são 25 mil no total - e novos moradores impulsionaram os índices de criminalidade. O superintendente regional da Polícia Civil, Cristiano Marcelo do Nascimento, conta que, de 2010 para cá, o número de homicídios cresceu 61% e o de estupros, 66%. O consumo de drogas também subiu. “Em 2010, 22 traficantes foram presos; e em 2013, 178. Neste ano deve passar de 200.” O delegado diz que 90% da droga consumida é crack. “Um grama de cocaína custa R$ 70. É caro para a população local.”

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