Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Incertezas com eleições levam dólar a R$ 3,42, maior cotação desde 2016

Para os investidores, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encerrou o temor de o futuro presidente descontinuar reformas econômicas; Ibovespa fechou em queda de 1,78%, aos 83.307,23 pontos

Luciana Antonello Xavier, Simone Cavalcanti e Victor Rezende, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 13h20

Em dia de nervosismo com as tensões no cenário externo e com um quadro eleitoral no Brasil ainda incerto, o dólar terminou cotado a R$ 3,4199, alta de 1,69%. Essa é a maior cotação da moeda americana desde 5 de dezembro de 2016.

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Na máxima desta segunda-feira, 9, ela chegou a R$ 3,4234, subindo1,80%. Para os investidores, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encerrou o temor de o futuro presidente do Brasil descontinuar as reformas econômicas.

Também contribuiu para a valorização da moeda americana o comportamento da divisa perante algumas emergentes. Às 17h24, o dólar avançava 4,21% ante o rublo, 0,67% ante o rand sul-africano e 0,68% ante a lira turca.

Já o Ibovespa fechou em queda de 1,78%, aos 83.307,23 pontos, deixando de lado o bom humor que imperou nos mercado acionários americano e europeu. O giro financeiro foi de R$ 9,1 bilhões.

Entre as ações que compõem a carteira do índice, as maiores quedas ficaram com Eletrobras ON e PN, que recuaram 9,56%, e 6,74%, respectivamente. Os papéis da estatal recuam desde sexta-feira, com temores sobre a continuidade do processo de privatização.

Entre as blue chips, como são conhecidas as ações de empresas de grande porte, Petrobras e Banco do Brasil, considerados termômetros para tensões políticas apontaram quedas fortes.

Os papéis ON do BB recuavam mais de 3,64%, a despeito de seus correlatos no mercado acionário americano fecharem em alta. Também da petroleira caíram 2,88% (ON) e 3,52% (PN) embora a cotação dos futuros do petróleo se valorizarem por volta de 2%.

Itaú Unibanco PN e Bradesco PN amargaram queda de 2,22% e 3,79%, respectivamente.

Além de o mercado financeiro não identificar um candidato pró-mercado forte, na quarta-feira o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello deve levar ao plenário da Corte o pedido de liminar do Partido Ecológico Nacional (PEN) contra a prisão após condenação em segunda instância, que pode beneficiar o petista e diversos réus da Lava Jato que estão cumprindo pena nessa condição.

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"Com a possível saída de Lula do quadro eleitoral hoje, o mercado olha quem iria para o segundo turno das eleições e vê Jair Bolsonaro e Marina Silva, e nenhum dos dois são 'queridinhos do mercado'", avalia o diretor da Correparti Jefferson Rugik diz que "há novas compras defensivas em função da indefinição sobre a nossa corrida eleitoral".

Mercado internacional. O ímpeto comprador nos mercados acionários americanos perdeu fôlego nesta tarde, após as bolsas em Nova York chegarem a subir mais de 2%.

O setor de tecnologia novamente mostrou recuperação e liderou os ganhos, com a perspectiva de amenização da retórica tarifária entre Estados Unidos e China no fim de semana. No entanto, a investigação sobre o suposto pagamento de propina a uma atriz pornô pelo advogado pessoal de Donald Trump fez as ações renovarem mínimas nos minutos finais do pregão.

O índice Dow Jones fechou em alta de 0,19%, aos 23.979,10 pontos; o S&P 500 avançou 0,33%, aos 2.613,16 pontos; e o Nasdaq apresentou ganho de 0,51%, aos 6.950,34 pontos. Na Europa, a amenização da tensão comercial também proporcionou leves ganhos: Londres subiu 0,15% e Frankfurt teve alta de 0,17%.

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