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Com crise política, Barbosa acelera medidas para economia

- Atualizado: 18 Março 2016 | 16h 02

Equipe econômica pretende fazer uma espécie de "contra-ataque" com medidas econômicas para apressar a retomada do crescimento; na segunda-feira, um primeiro conjunto de decisões será anunciado

BRASÍLIA - Com posição ainda incerta no governo depois da volta do ex-presidente Lula ao Executivo, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, pôs o pé no acelerador de medidas que estão no centro da agenda econômica do PT, capitaneada agora pelo novo ministro da Casa Civil.

Em meio ao desgaste com a aceleração do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o que a equipe econômica pretende fazer é uma espécie de "contra-ataque" com medidas econômicas para apressar a retomada do crescimento, melhorar o ambiente econômico do País e atender aos pleitos do partido do governo. Lula pediu "animação" na economia.

Na segunda-feira, um primeiro conjunto de medidas, que já estava em elaboração, será anunciado. Nesse pacote, estão o envio de projeto de socorro aos Estados e alongamento da dívida, a reforma fiscal com o teto para o limite de gastos do governo e espaço para registrar déficit este ano nas suas contas.

 equipe econômica pretende fazer é uma espécie de "contra-ataque" com medidas econômicas para apressar a retomada do crescimento

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Mas, segundo fontes, o ministro resolveu incluir de última hora a proposta de criação de um depósito remunerado (uma espécie de reservas bancárias) para reduzir o volume das chamadas operações compromissadas que o Banco Central faz de enxugamento da liquidez de recursos no mercado.

De grande complexidade, esse não era um tema prioritário dentro da área técnica, mas foi agilizado nos últimos dias num momento em que o ministro busca mostrar a sua estratégia de política econômica. Com a redução das compromissadas, o depósito permitirá a diminuição da dívida bruta do governo num momento de crise fiscal, o que é visto com desconfiança pelos analistas do mercado financeiro.

Swap. Além de tirar de geladeira as contratações de dois milhões de moradias da terceira fase do programa Minha Casa, Minha Vida, Barbosa prepara novas medidas de crédito, como informou o Broadcast na última quarta-feira. A terceira fase do programa estava parada pela falta de verbas para tocá-lo. A sua ampliação é o terceiro item da lista de 22 medidas feita pelo PT do programa nacional de emergência para a economia, lançado há algumas semanas pelo partido.

A estratégia do governo é adotar essas medidas com a menor necessidade de aporte de novos recursos pelo Tesouro, como foi feito esta semana com a redução dos juros dos financiamentos dos fundos constitucionais. A senha para o crédito já foi dada hoje pelo ministro Barbosa, em evento em São Paulo, quando sinalizou que a redução dos contratos de swaps cambiais vai ajudar no esforço de consolidação fiscal do governo, já que parte do déficit registrado no ano passado foi resultado do prejuízo com as operações de swap.

Segundo apurou o Broadcast, a diminuição do volume dos swaps vai impactar positivamente na redução da dívida pública, abrindo espaço para novas medidas de incentivo ao crédito. O uso dos depósitos compulsórios para aumentar a liquidez voltada ao crédito, que enfrentava resistências no Banco Central, também deverá ser acionado, como informou Barbosa hoje.

Pós-Lula: o que mudou na economia depois de 2010
Economia em 2010 e 2015

conturbada chegada do ex-presidente Lula ao governo de Dilma Rousseff é uma das apostas do governo para barrar o avanço do processo de impeachment e melhorar a articulação política dentro do Congresso. A situação agora está rodeada de incertezas, depois da divulgação de conversas telefônicas entre Lula e Dilma. Qualquer que seja o desfecho, o potencial de Lula para manter o governo de pé e reativar a economia esbarra na recessão enfrentada pelo Brasil. Veja o que mudou no cenário econômico entre 2010, último ano de Lula na Presidência, e 2015.

PAC. Na Casa Civil, Lula ficará com o comando do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vitrine de seu governo e que ficou apagado na gestão de Dilma por causa de falta de recursos orçamentários. A gestão do PAC foi transferida do Ministério do Planejamento para a Casa Civil por meio de decreto editado ontem. Barbosa já conseguiu R$ 9 bilhões de espaço no gastos do Orçamento para o PAC e novos espaços estão em análise pela área técnica do governo.

Antes de ser nomeado para o cargo, Lula e lideranças do PT lançaram várias críticas na direção de Barbosa e de seu programa de ajuste fiscal. Reclamavam de falta de ousadia do ministro na política. Com a escolha de Lula para a Casa Civil, aumentaram os rumores no mercado em torno da substituição de Barbosa por Henrique Meirelles, ex-presidente do BC no governo Lula.

Apesar dos boatos, Barbosa segue com sua agenda frenética em torno das medidas. "Com a crise política, a nossa resposta é com trabalho", resumiu um assessor da Fazenda. No fim de semana, Barbosa e sua equipe acertam em reunião os últimos detalhes dos projetos que serão anunciados na segunda-feira.

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