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Felipe Rau|Estadão

‘Com Dilma no poder, recuo do PIB em 2016 pode chegar a 4,9%’, avalia economista

Para Sérgio Vale, da MB Associados, melhora econômica depende de uma solução para o impasse político e envolve, necessariamente, a saída da presidente

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Mario Braga,
O Estado de S.Paulo

03 Março 2016 | 10h49

SÃO PAULO - A economia brasileira deve repetir em 2016 a queda de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) registrada em 2015, na avaliação do economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. O especialista destaca que esta projeção contempla uma melhora do atual impasse político e "alguma solução qualquer que envolva necessariamente a saída da presidente Dilma Rousseff", seja por meio do impeachment ou da cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Não se acredita mais que haja uma solução viável. Depois de 5 anos, já se perdeu a esperança de uma coalizão comandada por ela. Com a Dilma no poder, o recuo no PIB pode chegar a 4,9%", estimou, ao comentar os dados da economia brasileira divulgados há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O especialista destaca que uma melhora nos investimentos e na indústria, por exemplo, ocorreu após a saída de Fernando Collor da Presidência, no início da década de 1990. "No período dos escândalos e do processo de impeachment, a queda na produção industrial chegou a 17% na comparação interanual. Na hora em que foi decidida a saída de Collor, o setor passou a crescer entre 15% e 20%", disse. Para ele, a estabilização da situação política tem um efeito muito positivo sobre as expectativas e seria capaz de reverter a atual desaceleração da economia brasileira.

Vale ressalta ainda a intensificação do ritmo de queda da atividade econômica no País, como indica a retração de 5,9% no PIB do quarto trimestre ante igual período de 2014. No resultado fechado de 2015, a peculiaridade desta recessão, segundo o economista da MB Associados, é o fato de os recuos serem generalizadas tanto do lado da oferta como na demanda.

"Diferentemente de outros momentos de recessão no passado recente, como em 1999, 2003 e 2008, desta vez poucas coisas se salvaram", afirmou, em referência ao "crescimento baixo" de 1,8% do PIB da Agropecuária no ano passado e à elevação de 6,1% nas exportações, "reflexo do câmbio positivo", ambos na comparação com 2014.

Na avaliação do economista, sob a ótica da oferta, é natural ver quedas mais intensa da indústria em períodos recessivos, mas a retração de 2,7% observada no PIB de Serviços no ano passado é novidade. Esta foi a primeira queda registrada na série histórica do IBGE, que tem início em 1996.

Do lado da demanda, Vale aponta o declínio de 4,0% no consumo das famílias o destaque negativo. "Estes são os dois itens de cada lado que respondem por mais de 60% do PIB. E por isso, têm o impacto muito negativo que vimos sobre a economia ao longo de 2015", afirmou. 

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