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Com gasolina mais cara, consumo de etanol cresce 37,5% em 2015

Álcool é alternativa para o consumidor frente à elevação do preço da gasolina; Petrobrás deixou de produzir 3 bilhões de litros

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Antonio Pita,
O Estado de S. Paulo

02 Março 2016 | 13h31

RIO - As vendas de gasolina no País se retraíram 9,2% em 2015 ante o ano anterior, de acordo com o balanço anual apresentado nesta manhã pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). Acompanhando o fraco desempenho da economia, o consumo de diesel também recuou, 4,7%. Apenas o consumo de etanol cresceu no País, na faixa de 37,5%, como alternativa para o consumidor frente à elevação do preço dos combustíveis.

"O encolhimento não é tão ruim assim. Se fizer comparação com o emplacamento de veículos, que caiu mais de 27%, vemos que não foi tão ruim", ponderou Rubens Freitas, superintendente adjunto de Abastecimento da agência reguladora. Segundo ele, o setor tem rápida resposta diante da retomada do crescimento e da distribuição de renda. "Qualquer R$ 200 que coloquemos na renda das classes C e D, isso vai se repercutir na demanda por combustíveis", avaliou.

De acordo com os dados da ANP, a produção de gasolina no País caiu no último ano, como reação da Petrobrás à queda na demanda. Assim, houve um déficit de 30 mil barris por dia na balança comercial do combustível. Em volumes, houve uma alta de 1% no total importado, associada a uma menor produção da Petrobrás.

"A Petrobrás deixou de produzir o equivalente a 3 bilhões de litros. Ela vinha ao longo dos últimos anos aumentando sua produção de gasolina A. No ano passado, optou por tirar o pé do acelerador na produção de gasolina", afirmou Freitas.

Com a menor produção da estatal, a BR Distribuidora, subsidiária de revenda de combustíveis no varejo, perdeu participação no mercado doméstico. Em 2015, a empresa teve cerca de 28% de participação do mercado, liderando as vendas. Em seguida, aparecem Ipiranga e Raízen, ligada à Shell, que apresentaram oscilações positivas entre 25% e 20% nas vendas de gasolina, respectivamente.

Para Freitas, a elevação das importações, para compensar a interrupção dos projetos de construção de novas refinarias, vai aumentar a pressão sobre a logística de terminais portuários e rede de distribuição de gás. "Em dez anos, com crescimento econômico e distribuição de renda, podemos ter até 400 mil barris por dia de importação de gasolina. Não temos nenhum projeto de refinaria. À medida que vão aumentando as importações, temos que ter olhar mais cuidadoso com a infraestrutura", pontuou.

Diesel e etanol. As vendas de Diesel caíram 4,7% em 2015, segundo Rubens Freitas, devido à queda na atividade econômica. Como a maior parte da produção brasileira é transportada em caminhões, o consumo do combustível reflete diretamente a retração do Produto Interno Bruto (PIB). No último ano, houve ampliação da produção em pelo menos 2 bilhões de litros, com a operação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco. Em compensação, houve redução da importação de 4 bilhões de litros.

Para o etanol, a avaliação é de que a alta de 37% reflete a opção do consumidor pela substituição dos combustíveis, diante da alta de preços e tributos na gasolina. "Estamos no limite da nossa produção de etanol. Acima disso, só com esforço grande e conjunto de fatores. Ainda podemos trazer mais etanol sem investimentos, mas isso sacrificaria os compromissos de exportação do País, e em termos de rentabilidade, não seria interessante para o fornecedor", avalia Rubens Freitas.

Também foram registradas quedas no consumo de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), de 1,2%, de Querosene de Aviação (QAV), de 1,5%, e de Óleo Combustível (20,4%). "Térmicas representaram, em 2014, 50% do consumo de óleo combustível. Mas em 2015, as térmicas foram menos acionadas. Não há por que se assustar com a queda. Quanto menos óleo for queimado, melhor para o meio ambiente", pontuou Freitas.

Segundo ele, a previsão é de que em 2017 seja concluída a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Comperj, única obra mantida no cronograma da Petrobrás para o complexo - e paralisada por divergências com o consórcio. "Pode ser que isso reduza nossa dependência externa", avalia. 

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