Com manobra do PSDB, Senado cria CPI da Petrobras

Após polêmica na quinta-feira, senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) lê em plenário requerimento para CPI

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

15 Maio 2009 | 09h55

Os senadores tucanos decidiram voltar do aeroporto de Brasília na quinta à noite e montar uma contraofensiva para conseguir criar a CPI da Petrobras, em um plenário esvaziado nesta sexta-feira, 15, pegando os governistas de surpresa. O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) leu nesta manhã, em plenário, o requerimento para a instalação e criação da comissão. Com a leitura, a instalação da CPI depende da publicação do requerimento para que os líderes façam as indicações dos integrantes.

 

O primeiro vice-presidente, Marconi Perillo (PSDB-GO) que já estava a caminho de Brasília na quinta à noite, foi encarregado de abrir a sessão desta sexta, às 9 horas, na qualidade de membro da Mesa Diretora.

 

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) tomou a palavra e denunciou a "manobra suja e truculenta" feita na véspera, pelo governo, referindo-se à ação da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), que encerrou a sessão do Senado, na quinta à noite, na primeira tentativa dos tucanos de leitura do requerimento de instalação da CPI. Segundo Virgílio o encerramento da sessão foi ilegal, porque ainda não havia terminado o tempo de prorrogação de 60 minutos determinado pelo senador Heráclito Fortes, que presidia a sessão, antes de Serys assumir a Mesa.

 

Virgílio lembrou que havia oradores inscritos e que por isso o PSDB não aceitava a truculência do governo. A leitura do requerimento foi feita nesta sexta, com a presença de apenas cinco senadores no plenário. Além do presidente da sessão e do orador, Arthur Virgílio compareceram, o presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra (PE), o senador Tasso Jereissati e o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). O único governista presente foi o senador João Pedro (PT-AM) que na quinta-feira tentava por panos quentes na discussão acalorada entre Sergio Guerra e Serys.

 

Mozarildo também discursou, lembrando que ele e o senador Romeu Tuma (SP) , ambos do PTB, assinaram requerimento em favor da CPI e que, portanto a criação da comissão parlamentar de inquérito não era apenas uma iniciativa do DEM e do PSDB. No mesmo tom dos tucanos o petebista observou que o "malefício maior" à Petrobras são as operações da Polícia Federal, e as denúncias de irregularidades na estatal feitas pelo Ministério Público. Além disso Mozarildo lembrou ter recebido incontáveis e-mails de funcionários da Petrobras pedindo que ele participe da CPI.

 

Após a leitura e criação da CPI, Perillo, informou que a retirada de assinaturas por parte de qualquer dos 32 senadores que assinaram o requerimento somente poderá ser feita até a meia-noite desta sexta. De acordo com a Agência Senado, Virgílio afirmou acreditar que a CPI será instalada. Para ele, não haverá desistências.

 

Racha

 

A instalação da comissão rachou a oposição e provocou um bate-boca na quinta-feira, no plenário do Senado, entre senadores do DEM e do PSDB. Enquanto os tucanos exigiam a criação imediata da CPI, o DEM sustentava o acordo fechado com os governistas pela manhã para adiá-la até que o Senado ouça o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. No início da noite, o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), presidiu a sessão e se negou a ler o requerimento que cria a CPI. Irritados, os tucanos chegaram a trocar ofensas com Heráclito. Em meio aos ânimos acirrados, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) pôs fim à polêmica encerrando a sessão.

 

Matéria atualizada às 11h32

Mais conteúdo sobre:
CPI da Petrobras Senado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.