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Com metas conservadoras para 2016, Embraer lidera as perdas no Ibovespa

Analistas esperavam um cenário desafiador para a fabricante de aviões, mas as projeções divulgadas pela empresa pioraram a expectativa dos investidores

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RENATO CARVALHO E VICTOR AGUIAR,
O Estado de S. Paulo

03 Março 2016 | 21h37

Em dia de euforia na Bolsa brasileira, as ações da Embraer lideraram nesta quinta as perdas entre as empresas listadas no Ibovespa. Apesar da companhia ter divulgado um lucro de R$ 426 milhões no quarto trimestre do ano passado, 76% superior ao mesmo período de 2014, os papéis da empresa tombaram 13,99%.

Mais do que pelo resultado abaixo do esperado pelos analistas, a reação negativa dos investidores foi motivada pelas metas estabelecidas pela companhia para 2016, consideradas conservadoras. De maneira geral, esperava-se um cenário desafiador para a fabricante de aeronaves, mas os guidances (metas) pioraram essa expectativa.

O Itaú BBA destacou, em relatório, que os resultados foram “decepcionantes” e que as projeções divulgadas para 2016 demonstram a “incapacidade” da Embraer em aproveitar a desaceleração do câmbio para ampliar suas margens operacionais. O banco ressaltou ainda que a competitividade no setor é “mais agressiva que o esperado.” Em relação à ação, o Itaú BBA acredita que a percepção do investidor sobre os benefícios cambiais para os resultados da empresa será cada vez menor, o que vai pressionar os preços dos papéis.

Ao longo do ano passado, o dólar teve uma valorização de cerca de 50%, gerando um efeito positivo no resultado em real da companhia. A moeda americana foi considerada, segundo o relatório da Embraer, o principal fator para o crescimento da receita em 2015. No ano, o faturamento da empresa subiu 35,9%, para R$ 20,3 bilhões. O lucro anual foi de R$ 241 milhões, representando uma queda de 70% em relação a 2014. 

Horizonte. A fabricante trabalha com a perspectiva de entregar entre 105 e 110 jatos comerciais em 2016. No segmento de aeronaves executivas, a empresa espera entregar entre 75 e 85 jatos leves e entre 40 e 50 jatos grandes. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em 2016, segundo a companhia, deverá ficar entre US$ 800 milhões e US$ 870 milhões, com margem de 13,3% a 13,7%. Quanto ao resultado operacional (Ebit), a expectativa da Embraer é que o indicador fique entre US$ 480 milhões e US$ 545 milhões, com margem entre 8% e 8,5%.

Diante dos números, o Bradesco BBI destacou que as metas são piores do que as expectativas já conservadoras do banco. O Banco do Brasil Investimentos reforçou o coro, classificando os guidances da Embraer como “conservadores”, principalmente para as margens operacionais. “Isso indica que a empresa espera algum tipo de competição de preços, ou a redução de pedidos, no decorrer deste ano”, diz o banco em relatório assinado pelo seu analista-chefe, Mário Bernardes Junior.

Provisões. No último trimestre do ano, a companhia teve de fazer provisão de R$ 390,6 milhões por causa do pedido de recuperação judicial da americana Republic Airways, uma das maiores companhias aéreas regionais do Estados Unidos, feito na semana passada. “Fizemos uma análise inicial do pedido para entender os impactos para a companhia”, disse o vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores da Embraer, José Antonio de Almeida Filippo, em teleconferência. “Mas isso não é de maneira nenhuma um reconhecimento do que será pago.”

Ao fim do trimestre, havia um total de 28 aeronaves E175 na carteira de pedidos firmes da Embraer referentes à Republic. Destas, quatro já foram entregues e as 24 restantes estão previstas para 2016 e 2017.

A fabricante fechou o ano com um total de R$ 1,368 bilhão a receber do Comando da Aeronáutica, valor ligado principalmente ao desenvolvimento da aeronave militar KC-390. Fillipo afirmou que a empresa teve de fazer algumas reprogramações de modo a se ajustar ao ritmo de pagamentos por parte do governo, mas garantiu que o cronograma de desenvolvimento do KC segue em linha com o planejado.

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