Tiago Queiroz
Tiago Queiroz

Com o reajuste da gasolina, previsões para a inflação chegam a 10% em 2015

Consumidor passou a pagar entre R$ 0,17 e R$ 0,20 mais pelo litro da gasolina e o transporte rodoviário de cargas ficou entre 0,46% a 1,41% mais caro, o que pode levar o IPCA a ultrapassar os dois dígitos pela primeira vez desde 2002

Antonio Pita, Fernanda Nunes , O Estado de S. Paulo

30 Setembro 2015 | 22h10

RIO - A alta do dólar chegou ao orçamento das famílias ao primeiro minuto desta quarta-feira, com o reajuste pela Petrobrás do preço da gasolina e do óleo diesel nas refinarias. O repasse para o consumidor foi imediato. Logo pela manhã, os motoristas tiveram de pagar de R$ 0,17 a R$ 0,20 a mais pelo litro da gasolina. O aumento era o empurrão que faltava para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechar acima de 10% este ano e voltar à casa dos dois dígitos pela primeira vez desde dezembro de 2002 (12,53%). 

“Com o aumento da gasolina, finalmente podemos dizer que o repasse do dólar começou de fato a ser repassado para a inflação”, afirmou o economista da PUC-RJ e membro do Conselho do IBGE, Luiz Roberto Cunha. Para ele, antes não era possível perceber claramente a contaminação da economia pelo câmbio mesmo em produtos com matéria-prima importada, como nos segmentos de limpeza e higiene. 

Cunha trabalha, agora, com estimativa de inflação na casa dos 10% até o fim do ano, muito acima do teto da meta fixada do governo para o IPCA, de 6,5%. Em relatório distribuído aos clientes, o banco Credit Suisse já revisou para cima suas projeções, de 9,5% para 10%.

Cunha lembra que o diesel é usado em toda a cadeia produtiva, como no transporte rodoviário de cargas, que afeta a inflação de alimentos. Pelas contas da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), o aumento no diesel de 4% vai deixar o transporte rodoviário de cargas de 0,46% a 1,41% mais caro. O impacto deve ser maior no frete de longa distância, de 2.400 km, que deve registrar alta de 1,38%. 

Já o economista da FGV André Braz diz que a retração da economia pode adiar um pouco o impacto do reajuste na gasolina sobre a cadeia produtiva. “Com a redução na demanda, o efeito vai se espalhar pelo tempo. Mas, em algum momento, isso se transforma em repasse”, admitiu. Em sua opinião, há chances de o IPCA fechar o ano acima de 10%, mas não é certo que isso aconteça por causa da recessão.

O aumento sazonal de preços do etanol no quarto trimestre do ano tende a ser mais intenso em 2015, segundo o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e sócio da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho. O etanol é o concorrente direto da gasolina nos postos de combustíveis, e qualquer mudança de preço na gasolina provoca impacto na cotação do biocombustível.

Nas refinarias, o litro da gasolina ficou R$ 0,09 mais caro desde esta quarta-feira, segundo estimativa do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom). /COLABORARAM IDIANA TOMAZELLI, GUSTAVO PORTO e FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

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