Com petróleo em baixa, setor tenta inovar para sobreviver

Em tempos de crise financeira e mudanças na indústria de óleo e gás, o mercado aposta na inovação como alternativa para reduzir custo, melhorar a eficiência dos negócios e promover novas estratégias. O sucesso da exploração comercial de uma boa ideia, entretanto, requer engajamento de toda a companhia, segundo o consultor global da Shell, Peter Lednor. De outra maneira, avalia, as empresas sucumbirão em um mercado em transformação.

Antônio Pita / RIO, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2015 | 02h03

"O futuro de nenhuma companhia está garantido, e elas deveriam pensar em como a inovação pode ajudar a sobrevivência", diz Lednor. Na última semana, o executivo ministrou no Rio um curso para o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que aposta na inovação como chave para driblar incertezas conjunturais do País, e mudanças estruturais na cadeia global de petróleo.

"Algumas ideias eram boas com o barril a US$ 100, mas não são mais viáveis agora. Com óleo a baixas cotações, as pessoas tendem a ser mais focadas nas atribuições do dia a dia. Mas precisam acreditar, em todos os níveis da companhia, que a inovação é tão importante quanto cortar gastos e gerar novas receitas", complementa o consultor, responsável por mais de 28 patentes no setor.

Anos 80. O executivo compara o momento atual da indústria com o final da década de 80, quando as cotações de petróleo chegaram abaixo de US$ 20. Naquela época, a Shell cortou segmentos, como a área petroquímica - atuação semelhante à proposta hoje pela Petrobrás para superar a crise financeira. "O desinvestimento força a pensar no que se deve manter, mas não gera inovação. Qual o elemento novo para reestruturar a empresa? É preciso pensar estratégias que levem a caminhos diferentes."

Para inovar, é fundamental o consenso sobre o conceito de inovação na empresa. "Quando se fala em inovação, o topo e a base da companhia são entusiastas, mas os executivos de cargos médios são resistentes, pois isso consome recursos. Por que separar tempo e dinheiro para construir algo para daqui a dez anos quando há resultados a entregar no mês seguinte?", questiona. "É importante tornar a organização mais coesa em relação a essas estratégias de como fazer a inovação", completa.

Com 30 anos de carreira na Shell, Lednor cita iniciativas da empresa que trouxeram mudanças para a companhia, como o incentivo a ideias de pessoas fora da empresa.

"Há muitas ideias que se deixa pra trás, fora do funil. Você descarta ou espera para tentar de novo. Há uma escala do tempo das mudanças. Há mais de dez anos, a Shell começava a investir em eólica, solar e gás. Hoje, ela produz mais gás que petróleo. É uma grande mudança. É como se em dez anos evoluíssemos do modelo Ford T, o primeiro veículo, para uma Ferrari. É uma revolução", resume.

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