Jonne Roriz/Estadão
Jonne Roriz/Estadão

Com queda da Selic, produtor rural abre mão de crédito subsidiado

Juros subsidiados pelo governo foram fixados em 8,5%, quando a Selic estava em 10,25%, mas agora operações diretas com os bancos se tornaram mais atrativas e vêm ganhando espaço

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

24 Março 2018 | 05h00

RIBEIRÃO PRETO - A queda na taxa de juros (Selic), que chegou esta semana a 6,5% ao ano, vem provocando uma mudança no crédito rural no País. Parte dos produtores começa a migrar dos empréstimos subsidiados pelo governo federal – fixados, em média, em 8,5% ao ano – para financiamentos com juros de mercado dos bancos, que se tornaram mais atrativos.

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No início da safra, em julho do ano passado, a Selic, usada como base para captação de recursos a serem emprestados, estava em 10,25% ao ano. Por isso, a taxa do crédito subsidiado foi fixada em 8,5%. Ao longo dos meses, porém, a taxa básica despencou para 6,5%, e os bancos começaram a oferecer crédito com juros mais competitivos. Desde julho, o volume de financiamentos com juros de mercado cresceu 54%, enquanto as operações com juro subsidiado subiram 2,6%. No total, o crédito rural ofertado avançou 10,6% no período, para R$ 107,554 bilhões, segundo dados do Banco Central.

Para os produtores, mesmo que o financiamento bancário tenha a mesma taxa que a do crédito subsidiado, a operação vale a pena, por causa da facilidade maior em relação aos recursos oferecidos pelo governo. “A exigência de contratar projetos técnicos e assistência técnica como parte do porcentual do financiamento liberado são fatores que têm inibido a procura pelo crédito com juros controlados”, diz Fernanda Schwantes, assessora técnica da Comissão de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). 

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O Banco do Brasil, principal operador de crédito rural do País, foi o maior responsável pela alta na tomada recursos por agricultores e pecuaristas com juros de mercado. O volume de crédito agropecuário contratado com juro livre no BB disparou 190,5% nos oito primeiros meses da safra 2017/2018, de R$ 2,859 bilhões para R$ 8,306 bilhões. A participação desse tipo de operação no volume total de crédito agrícola da instituição saltou de 7,19% para 16,54%.

Para Tarcísio Hübner, vice-presidente de Agronegócios do BB, além do impacto da queda da Selic nos juros para a captação e empréstimo dos bancos aos agropecuaristas, a alta no volume contratado com juro livre foi motivada também pela autorização para que recursos de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) fossem utilizados nessas operações. “A mudança na regulamentação permitiu que parte das operações com LCA fosse destinada ao custeio, investimentos e estocagem.” 

Para o superintendente de Agronegócios do Santander, Carlos Aguiar, ainda é esperado um aumento da demanda por crédito nos próximos três meses, até o final da atual safra. “Os produtores estão colhendo uma safra boa e o otimismo prevalece no setor”, disse. / COLABORARAM NAYARA FIGUEIREDO E CLARICE COUTO

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