Com safra recorde, agronegócio mantém investimento

Crise política não afeta planos para a próxima safra de grandes empresas do setor

Clarice Couto, Impresso

17 Junho 2017 | 17h00

Os bons resultados da safra recorde de grãos no Brasil têm ofuscado os eventos recentes no cenário político-econômico nacional aos olhos das empresas de agronegócio. Elas avaliam que as turbulências pouco ou nada afetarão seus planos de negócio, não apenas por causa da produção prevista de 238,6 milhões de toneladas mas porque o dólar mais forte que o real garante aos produtores maior remuneração e isso se reflete nos investimentos. As companhias também citam a demanda internacional firme e o anúncio do Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018, na semana passada, que trouxe previsibilidade do montante e do custo dos recursos que serão oferecidos no período.

“É claro que observamos com cautela o cenário político-econômico, esse ‘vai não vai’ do governo”, diz o vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina, Rafael Miotto. “Mas a gente observa muito mais outros fatores: níveis de consumo de proteína, de alimentos e do complexo soja para alimentação humana e animal.” Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele acrescenta que a agricultura consegue se descolar do cenário político e econômico nacional por causa da oferta e demanda internacional.

O vice-presidente da empresa de silos para armazenagem de grãos Kepler Weber, Olivier Colas, acrescenta que o cenário para 2017, com inflação mais baixa, sinaliza que o Brasil está saindo do fundo do poço e gerou maior demanda por parte dos clientes. “Só notamos que o pessoal estava postergando as decisões de compra porque aguardava o anúncio do Plano Safra.” Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em maio, as vendas internas de máquinas agrícolas tiveram alta de 16,4% ante o mesmo período de 2016.

No setor de fertilizantes o quadro também é positivo, segundo o consultor na área de adubos da INTL FCStone, Marcelo Mello. “O horizonte de longo prazo para a agricultura no Brasil é o máximo. Tem um potencial de crescimento enorme, a terra é boa, mais barata que em outros países e fica mais barata à medida que o dólar sobe.”

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