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Wilton júnior/Estadão

Com salário atrasado, servidora do Rio pede 'compreensão' a banco e isenção de juros

Funcionária pública fez apelo nas redes sociais após atrasar o pagamento da fatura do cartão de crédito; post teve mais de 13 mil compartilhamentos e inspirou outros servidores

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Bianca Pinto Lima, Hugo Passarelli e Luciana Nunes Leal ,
O Estado de S. Paulo

11 Março 2016 | 13h00

SÃO PAULO - O apelo de uma servidora do Estado do Rio de Janeiro ao Itaú Unibanco teve grande repercussão nas redes sociais e vem inspirando outros funcionários públicos. Na tarde desta quinta-feira, 10, a professora Gabriella Costa Silva postou no Facebook uma inusitada troca de mensagens com o banco, na qual pedia "compreensão" pelo atraso no pagamento da fatura do cartão de crédito. A postagem fez sucesso e já contabilizava 7,7 mil curtidas e 13 mil compartilhamentos nesta sexta-feira.

A mensagem faz referência a um comunicado do governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que atrasou o pagamento de fevereiro dos servidores e também pediu "compreensão" às pessoas que não receberam os salários na data prevista. "Não esperava essa repercussão. Minha intenção foi apenas usar o mesmo argumento do governador", diz Gabriella. 

De acordo com a conversa exibida pela professora, o banco informou que não seria possível isentá-la da cobrança de juros. Depois, no fim da noite, Gabriella disse que recebeu uma ligação do Itaú e a sua situação foi, enfim, compreendida. Ela afirma que vai poder pagar a fatura sem juros ou encargos. Procurado, o banco informou que "por dever de confidencialidade aos nossos clientes", não poderia comentar o caso.  

"Informamos que estamos sempre disponíveis para analisar as solicitações dos nossos clientes, pois é nossa prática auxiliá-los a manterem seus pagamentos em dia. Essas iniciativas vão desde orientação financeira para o cliente lidar com situações imprevistas, produtos que permitem reorganizar as finanças até a renegociação em caso de dificuldades. Para isso, o banco oferece diversos canais de atendimento, incluindo telefone, internet, caixas eletrônicos ou agências", disse o Itaú Unibanco em nota.

A repercussão da postagem de Gabriella fez com que outros servidores do Estado do Rio de Janeiro também se manifestassem nas redes sociais, pedindo "compreensão" a outras instituições financeiras e empresas (veja imagem abaixo)

Atrasos. Em dezembro passado, Pezão alterou a data de pagamento dos servidores do Rio do segundo para o sétimo dia útil da cada mês. E nesta semana mudou novamente o calendário das remunerações, dessa vez para o décimo dia útil. O governo estadual atribuiu o atraso "ao agravamento da crise financeira fluminense, provocada pelo aprofundamento da desaceleração da economia brasileira, recuo nos investimentos da Petrobrás e queda nos preços do petróleo".

A Secretaria de Estado de Fazenda informou que o pagamento da folha de fevereiro dos servidores ativos, inativos e pensionistas será feito ao longo desta sexta-feira, "inclusive após o término do expediente bancário". 

"Como fica a vida do servidor? As contas do servidor? Nós não estamos tendo prioridade", afirma Gabriella, que aderiu à greve dos professores do Estado do Rio de Janeiro. A paralisação da categoria teve início no dia 2 de março e é por tempo indeterminado. Segundo ela, o 13º salário de 2015 também ainda não foi integralmente pago, já que o valor foi parcelado até abril. "Com essas mudanças de calendário, nem sabemos se vamos receber a parcela de maio do 13º."   

Crise. Para enfrentar a queda na arrecadação, o governador do Rio encaminhou à Assembleia Legislativa, no início de fevereiro, um projeto de Lei de Responsabilidade Fiscal do Estado, como uma série de medidas impopulares, como a que aumenta a contribuição de servidores para a previdência. 

As propostas encontram resistência inclusive entre os partidos aliados e já motivaram vários protestos de servidores. Também geraram conflito entre o governo estadual e o Judiciário e Legislativo, que teriam de arcar com mais gastos. 

Nesta terça-feira, o governo sofreu uma derrota: pressionado pelos líderes partidários, teve de retirar o projeto da pauta. A proposta da nova lei será desmembrada e divida em temas, segundo o governo. Com isso, a discussão e votação das novas regras ficam sem data definida. O governo alega que a nova lei é fundamental para organizar as finanças e implicaria em uma redução de gastos do Executivo de R$ 13,5 bilhões ao ano. 

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