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Comércio ainda vai bem, mas perspectiva se retrai

O Estado de S.Paulo

21 Junho 2014 | 02h 03

Inflação em alta e elevação dos juros apertam os orçamentos domésticos e enfraquecem as perspectivas do consumo.

Esse é o comentário da Confederação Nacional do Comércio (CNC)diante de novo recuo, de 1,6% em junho, na comparação com maio, na Intenção de Consumo das Famílias, índice que, pela segunda vez consecutiva, está no menor nível da série histórica. Em relação a junho do ano passado o recuo foi de 7,4%.

Apesar disso, o Índice está na casa dos 120,4 pontos, o que leva a CNC a considerá-lo em nível favorável, acima da chamada zona de indiferença, que é de 100,0 pontos. Abaixo disso é a zona de pessimismo; acima, é a de otimismo.

Como se trata de uma medida da intenção de consumir, o índice na verdade antecipa o que pode acontecer com o comércio nos meses seguintes.

"O cenário de cautela causado pelas inseguranças até o final do ano e o elevado nível de endividamento, combinado com a taxa básica de juros elevada, vêm desaquecendo o consumo. Na base de comparação anual o último resultado positivo foi em dezembro de 2012", diz a economista Juliana Serapio.

Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, divulgada no último dia 12, o comércio varejista, que teve queda de 0,3% em abril, ainda apresentou alta de 6,7% em relação ao mesmo mês do ano passado. Com base nesses dados, e no índice de Intenção de Consumo, a CNC revisou para baixo a expectativa do aumento do volume de vendas de 2014, de 4,9% para 4,7%.

Os setores que mais resistem à queda na disposição de consumir são os de artigos de uso pessoal e doméstico, bem como os de alimentos, bebidas e fumo: os primeiros ainda mostraram alta de 16,0% em abril, e os segundos, de 10,1%. Ou seja, são itens dos quais a população não pode ou não quer abrir mão, fazendo o possível para mantê-los no orçamento. Apesar disso, e do momento ainda favorável do mercado de trabalho, a CNC considera que a inflação dos alimentos e o encarecimento do crédito vão aos poucos dificultando uma recuperação do ritmo de vendas no varejo.

O nível de confiança das famílias com renda abaixo de dez salários mínimos, segundo a pesquisa da CNC, retraiu-se 1,6% na comparação junho sobre maio. Nas famílias com renda acima de dez salários mínimos a retração foi de 1,0%.

O índice das famílias mais ricas está pouco acima do de todas as demais: 123,3 pontos.

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