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Gaston Brito/Reuters

Comércio entre países da América Latina caiu 21% em 2015

Estudo da Cepal aponta que os países mais fechados da região continuam sendo os que compõem o Mercosul

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Rolf Kuntz, enviado especial,
O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2016 | 08h21

DAVOS - A evasão fiscal chega a US$ 320 bilhões anuais nos países latino-americanos, segundo a secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Barcena. O dinheiro enviado ilegalmente ao exterior soma US$ 150 bilhões por ano. O estudo com esses dados e informações detalhadas por país ainda será publicado pela organização.

A secretária Alicia Barcena coordenou ontem à tarde, no Fórum Econômico Mundial, um painel sobre transformações na região. Ela mesma contribuiu com um dado importante para mostrar a baixa integração econômica na região. No ano passado, enquanto o comércio exterior latino-americano diminuiu 14%, as trocas intrarregionais encolheram 21%.

Os países mais fechados da América Latina continuam sendo os do Mercosul e sua negociação mais ambiciosa – com a União Europeia – continua emperrada. O próximo passo deve ser a troca de ofertas entre os dois blocos. Mas a troca só ocorrerá se os dois lados apresentarem suas propostas ao mesmo tempo, disse ontem a ministra de Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, numa entrevista depois do painel.

Os governos do Mercosul, explicou a ministra, só levarão adiante a discussão quando os europeus esclarecerem suas intenções em relação ao comércio de produtos agropecuários. A decisão de só apresentar a proposta quando a União Europeia puser sua oferta sobre a mesa já havia sido indicada pelo governo brasileiro. Segundo fontes europeias, a abertura comercial oferecida pelo Mercosul – oficialmente ainda mantida sob reserva – é inferior aos padrões previstos na negociação.

Embora os dois governos tenham decidido unir-se para manter o impasse com a União Europeia, a ministra argentina reafirmou a disposição, anunciada pelo recém-eleito presidente Mauricio Macri, de trabalhar pela dinamização do Mercosul, com eliminação das barreiras entre os países do bloco e maior empenho na busca de acordos com mercados relevantes. O bloco tem poucos acordos de livre-comércio, e só com economias em desenvolvimento, algumas com pouca presença nos mercados internacionais.

Dependência. Além de pouco integrados entre si, os latino-americanos, com exceção do México, são muito dependentes da exportação de commodities – matérias-primas e produtos pouco elaborados. Todos foram afetados pela queda dos preços das commodities, determinada em grande parte pela desaceleração da economia chinesa. O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu no ano passado 6,9%, segundo informação oficial divulgada nesta semana. Pela primeira vez, em mais de 20 anos, a variação anual ficou abaixo de 7,0%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê para a economia chinesa taxas de expansão de 6,3% neste ano e de 6,0% no próximo.

O baixo crescimento da segunda maior potência econômica do mundo e principal importadora das commodities latino-americanas é mais um sinal – reconhecido pelos participantes do painel – da urgência de mudança do padrão comercial da região. No caso do Brasil, a dependência excessiva de exportações de produtos básicos e, portanto, da demanda chinesa, resulta de uma decisão política formulada em 2003, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu dar prioridade à integração comercial com os países emergentes, enquanto os governos de vários outros emergentes, incluída a China, davam atenção preferencial aos mercados mais desenvolvidos.

Apesar das dificuldades comerciais, os participantes do painel mostraram otimismo em relação a mudanças na região, com destaque para a derrota do kirchnerismo na Argentina, a vitória da oposição na eleição para o Legislativo na Venezuela e a expectativa de acordo entre Estado e a guerrilha na Colômbia.

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