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Confiança: pior agora, mas um pouco melhor adiante

O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2014 | 02h 03

O Índice de Confiança da Indústria (ICI), apurado mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), continuou caindo em agosto, como acontece desde janeiro. A prévia da sondagem deste mês mostrou recuo de 1,2%.

Só que, desta vez, a pesquisa trouxe dois fatos que traçam algum viés positivo na marcha desse indicador. Um deles é que a queda foi bem menor do que no mês anterior, quando o ICI recuou 3,2%. Pode-se dizer, portanto, que no universo das entrevistas feitas pela FGV, a confiança entre os entrevistados caiu menos do que no mês passado.

O segundo viés positivo é que, conforme a avaliação da própria FGV, o resultado atual (caso se confirme) "combinaria a persistência na deterioração das avaliações com uma melhora de expectativas para os meses seguintes", o que não acontecia desde dezembro de 2013, pois o Índice de Expectativas (IE), que é divulgado conjuntamente, subiu 1,8% pela primeira vez depois de sete meses de queda.

Em resumo, os industriais pesquisados acham que a situação atual para o setor continua ruim e piorando, mas têm razões, por certo, para acreditar numa melhoria próxima.

Pode ser que a aproximação da data das eleições - que, de qualquer forma, definirão o cenário político para os meses seguintes e para grande parte de 2015 e esvaziarão a parafernália de propostas sobre a economia acenadas pelos candidatos, reduzindo as opções que o transcorrer da fase eleitoral propicia - esteja contribuindo para levar muitos empresários da área industrial a melhorarem suas expectativas.

O governo está fazendo o que pode para reverter as expectativas negativas, percebendo, afinal, que, com a indústria indo mal, toda a economia parece ir mal, na visão do grande público - o que prejudica seus objetivos eleitorais.

Daí a nova cartada de facilitar e melhorar a capacidade dos bancos de oferecer crédito (alavancagem), principalmente dos bancos públicos, e de trabalhar com taxas de juros menores. As autoridades acreditam que mais crédito, mais barato, favorece a abertura de novos negócios e atividades, eleva a criação de empregos e torna os prognósticos mais róseos.

O problema, porém, parece não estar na oferta de crédito, mas, sim, na demanda por crédito, como opina o economista-chefe do Bradesco, Otávio de Barros. Empresários e consumidores estão bem menos propensos ao risco. Em parte, à espera do resultado final do pleito.

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