Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Conselho da Oi aprova aumento de capital de R$ 8 bilhões

Empresa admitiu não saber ainda qual será a origem dos recursos que pretende aplicar nos próximos três anos

Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2017 | 00h01

RIO DE JANEIRO - Em nova tentativa de ganhar apoio de credores para o plano de recuperação judicial da Oi, o conselho de administração da tele aprovou na quarta-feira, 19, a proposta de aumento de capital de capital de até R$ 8 bilhões, que deve ocorrer em duas a três etapas. Após outras aprovações internas, esta poderá ser a segunda mudança formal no plano entregue à Justiça em setembro do ano passado.

Uma das principais dúvidas, porém, é sobre a origem dos recursos necessários para o aumento de capital. Diversos credores e investidores sinalizaram nos últimos meses a intenção de injetar dinheiro novo na tele. Segundo uma fonte, há dúvida sobre se o aumento de capital será apenas para acionistas ou haverá espaço para credores da companhia.

Dois dos maiores acionistas foram favoráveis à capitalização. A Pharol (antiga Portugal Telecom), dona de 22,24% da Oi, disse que ainda está analisando os cenários e não decidiu como irá participar do processo. Já o empresário Nelson Tanure, do fundo Société Mondiale, declarou que apoia integralmente a capitalização e quer participar dela para manter a posição que tem hoje na Oi. O fundo é dono de 5,28% da tele e Tanure já disse estar disposto a injetar R$ 7 bilhões na tele.

A aprovação do aumento de capital pelo conselho foi bem vista por credores da companhia ouvidos pelo Estadão/Broadcast, mas há temores sobre as condições da capitalização, que ainda não foram definidas, disseram fontes ligadas aos detentores de títulos – os “bondholders” – da tele.

A Oi informou que as condições definitivas do aumento de capital somente serão divulgadas após negociação com os credores. O objetivo é definir os detalhes ao longo das próximas semanas.

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Os recursos novos serão destinados para investimentos na companhia, com foco principalmente em novos projetos de banda larga e cobertura de rede móvel.

Confiança. A empresa, em processo de recuperação judicial desde junho de 2016, com dívida de R$ 65 bilhões, tenta ganhar mais adeptos ao seu plano, que recebeu diversas críticas desde o pedido de recuperação judicial da companhia, em junho do ano passado.

A intenção é que a capitalização ocorra ao longo de dois a três anos. Uma primeira parte poderia ocorrer logo após a assembleia de credores, num total de R$ 3 bilhões. O número, no entanto, ainda não está fechado e ainda pode mudar após as discussões.

“O aumento de capital é importante uma vez que fortalece o balanço da companhia. Os credores têm mais conforto em aprovar o plano sabendo que terá dinheiro novo na companhia”, afirmou ao Estadão/Broadcast o presidente da Oi, Marco Schroeder.

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O executivo destacou que, com as diretrizes aprovadas pelo conselho de administração, a diretoria executiva da Oi buscará com credores o apoio para viabilizar a aprovação do plano em assembleia. “Continuamos trabalhando com a previsão de realizar a assembleia de credores em setembro”, disse.

Anatel. O presidente da Oi defendeu que as dívidas da companhia com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sejam mantidas no plano de recuperação judicial, mas afirmou que caso haja uma mudança no posicionamento da Justiça sobre a questão serão procuradas alternativas, entre elas a inclusão no novo Refis. Na quarta-feira, a Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou que vai tentar impugnar a inclusão desse valor no processo. As dívidas declaradas à Anatel são de R$ 11 bilhões, mas podem chegar a R$ 20 bilhões.

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