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Consumidor pode transformar milhas aéreas em dinheiro

Venda dos pontos pode turbinar orçamento; empresas sinalizam que tendem a flexibilizar regras

Jéssica Alves, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2016 | 05h00

Assim como as companhias aéreas fortaleceram seus caixas com programas de milhas, os consumidores podem utilizar os mesmos benefícios como uma moeda de troca e terem alternativas na hora de programar os gastos.

Pesquisa feita com os usuários da Max Milhas, startup que conecta donos de milhas aéreas aos que desejam adquirir passagens mais acessíveis, mostra que as pessoas têm pressa em utilizar as milhas. Dos usuários que colocam suas milhas para vender, 41% adquiriram o benefício há menos de três meses. “Quando mexem com dinheiro, as pessoas não querem esperar”, diz Max Oliveira, CEO da startup.

A Smiles também flexibilizou o seu regulamento para facilitar trocas e o acúmulo de milhas. Ainda não é possível comercializar milhas dentro do programa, mas ele caminha para algo bem próximo disso. “Vemos que existe essa demanda e estudamos alternativas, mas ainda é prematuro. Hoje já é possível transferir pontos dentro do próprio sistema, mesmo com pouco, e complementar milhas com dinheiro”, explica Leonel Andrade, presidente da Smiles. 

A empresa teve 11,8 milhões de clientes no terceiro trimestre de 2016, representando um crescimento de 7,6% comparado ao mesmo período de 2015 e atribui os números a parcerias, como a feita com o Grupo Pão de Açúcar, onde os clientes podem trocar suas milhas por vale-compras nas lojas da rede. 

“As pessoas precisam de caixa e a grande maioria ainda não viaja de avião. Com o tempo, as pessoas vão descobrindo o que fazer com aquilo”, explica Reinaldo Domingos, da Associação Brasileira dos Educadores Financeiros. Ele acredita ainda que esse tipo de demanda pode crescer bastante, já que muitas pessoas ainda desconhecem os programas. “Apenas 10% das pessoas usam os benefícios disponíveis.” 

Domingos alerta para o uso consciente do cartão de crédito, principal fonte geradora de milhas. Ele recomenda centralizar os gastos em um único cartão para evitar descontrole no orçamento.

Direito. A comercialização de milhas não é vista com bons olhos pelas aéreas e pelas empresas do programa de fidelidade. O entendimento é que o saldo acumulado é fruto de um relacionamento entre empresa e consumidor e destinado à premiação dos clientes fiéis. Para Max, o argumento não faz mais sentido porque o benefício é um direito adquirido do cliente. 

A Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF) diz que o comércio paralelo de milhas pode trazer prejuízos porque favorece fraudes devido ao fornecimento de dados pessoais a terceiros. 

A Multiplus diz que a comercialização de pontos é vedada pelo seu regulamento e pode ocorrer exclusão do participante na rede. A empresa possui práticas de segurança para resguardar os dados de seus participantes.

Saiba como obter milhas:

1. O que são milhas?

São créditos acumulados em programas de fidelidades de empresas parceiras de companhias aéreas.

2. Como faço para conseguir as milhas?

A forma de acúmulo mais fácil é por meio dos programas de relacionamento dos cartões de crédito. Ao fazer suas compras, o consumidor acumula pontos que podem ser transferidos para os programas de milhagem. Outra opção é pelo programa de fidelidade da companhia aérea. O viajante acumula milhas ao voar pela própria companhia ou por companhias parceiras.

3. A comercialização de milhas é ilegal?

Não. Entretanto, as empresas não recomendam o comércio de milhas por questões de segurança, para evitar roubos de milhas e outras fraudes.

4. Como faço para vender minhas milhas?

Basta se cadastrar em um site que faça esse intermédio. As ofertas das suas milhas são divulgadas no site para os potenciais compradores e a passagem aérea é emitida por você.

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