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Economia

editorial econômico

Contas externas mostram a piora relativa do Brasil

Os indicadores do balanço de pagamentos em janeiro, com diminuição do déficit mensal na conta corrente para US$ 4,8 bilhões, 60% menor do que o déficit de US$ 12,1 bilhões de janeiro de 2015, podem ser vistos pelos seus aspectos positivos – a menor dependência externa – ou por aspectos negativos – a piora da posição do Brasil na comparação com outros países, menos afetados pela valorização do dólar americano. Em ambos, o resultado é menos favorável do que possa parecer.

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25 Fevereiro 2016 | 03h00

A queda do déficit corrente em 12 meses – principal medida do balanço de pagamentos –, avaliada pela necessidade de financiamento externo, foi de US$ 103,1 bilhões em janeiro de 2015 para US$ 51,5 bilhões no mês passado.

Importando menos bens de consumo e capital e gastando menos com turismo, nos dois casos por causa da recessão, o Brasil poupa cambiais e reduz o déficit corrente. O déficit em viagens internacionais caiu de US$ 2,2 bilhões em janeiro de 2015 para US$ 840 milhões no mês passado. O déficit na conta de serviços, que além de turismo e transporte inclui aluguel de equipamentos, caiu de US$ 3,6 bilhões para US$ 1,3 bilhão entre os meses de janeiro de 2015 e de 2016.

O déficit corrente de janeiro foi o menor desde 2009, segundo o Banco Central (BC). O ingresso de investimento direto cobre com folga o déficit corrente. Este cairá, segundo o BC, a US$ 41 bilhões ou menos até dezembro, bem abaixo dos investimentos diretos, estimados em US$ 60 bilhões. Analistas privados já admitem que o superávit comercial poderá ser de até US$ 40 bilhões e o déficit corrente, de US$ 15 bilhões.

Mas, no cenário mundial, a economia do País está menor. O PIB de US$ 2,346 trilhões em 2014 caiu para US$ 1,730 trilhão em 2015 e pode ir a US$ 1,454 trilhão neste ano, segundo dados do boletim Focus do BC elaborados pelo Bradesco. A melhora da conta externa não ajuda a diminuir o risco Brasil, cuja classificação foi rebaixada há dias pela Standard & Poor’s e, agora, pela Moody’s, que reduziu em dose dupla a classificação brasileira. O País perdeu o grau de investimento porque as contas fiscais estão em frangalhos.

Com reservas estáveis de US$ 370 bilhões e déficits correntes menores, perdem importância relativa a queda de investimentos em carteira e a taxa cadente de rolagem da dívida externa de empresas, indicando que os devedores evitam compromissos em dólar enquanto o mercado global está mais fechado para o Brasil.

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