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Continuam ruins as perspectivas para o varejo

A atividade do varejo medida pelo volume de consultas mensais à base de dados da consultoria Serasa Experian caiu 1,1%, em relação a dezembro, e 9,6%, em relação a janeiro de 2015. O indicador toma como base pesquisa feita com cerca de 6 mil empresas comerciais e, com frequência, permite antecipar as tendências do varejo que serão mais amplamente conhecidas nos levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados com maior defasagem.

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16 Fevereiro 2016 | 02h55

O declínio medido em bases anuais foi generalizado: 20,4% em veículos, motos e peças; 15,3% em tecidos, vestuário, calçados e acessórios; e 13,1% em móveis, eletroeletrônicos e informática. Quedas menores foram registradas em material de construção (2,4%) e supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (6,7%). Num único item houve alta: combustíveis e lubrificantes, com aumento de 3,8%.

As quedas não se limitaram, portanto, aos bens duráveis de consumo, de custo unitário mais elevado e muito atingidos pela recessão, alcançando produtos de consumo básico, como alimentação.

A inflação de janeiro (de 1,27% medida pelo IPCA, de 1,53% pelo IGP-DI e de 1,50% pelo ICVM, o indicador da classe média paulistana) foi determinante da queda do poder aquisitivo e da redução da demanda no varejo.

Sazonalmente, o primeiro bimestre já é o mais difícil para os consumidores, sujeitos ao pagamento de IPVA, IPTU, matrículas e material escolar. Mas, além disso, o poder de compra dos salários ficou comprometido pela elevação de preços de alimentos e bebidas, de 1,83% em novembro e de 1,50% em dezembro, chegando a 2,28% em janeiro e acumulando 5,7% em três meses.

Em termos sazonais, a pesquisa revelou leve melhora em alguns setores entre dezembro e janeiro (material de construção, móveis, eletroeletrônicos e informática e até veículos, motos e peças). Mas a explicação parece estar no fato de que alguns consumidores evitaram comprar em dezembro, quando o Natal estimula as empresas a elevar margens, adiando o consumo para janeiro. Nada há, portanto, que justifique uma melhora das expectativas.

A piora do mercado de trabalho é acentuada, com estimativas de que até 2 milhões de vagas formais poderão ser eliminadas neste ano, após a queda de cerca de 1,5 milhão de vagas em 2015. A alta real do salário mínimo e das aposentadorias não permitirá mudar o quadro.

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