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Contra a inflação, clube de compras

- Atualizado: 01 Março 2016 | 08h 12

Famílias da classe média alta se unem para economizar, comprando em grande quantidade

Moradora de Higienópolis, Raquel Luccat faz compras conjuntas na Ceagesp

Moradora de Higienópolis, Raquel Luccat faz compras conjuntas na Ceagesp

A crise marcada pelo aumento da inflação, especialmente dos alimentos, mudou também a rotina de compras das famílias de classe média alta. A administradora de empresas Camila Alvim, de 39 anos, casada e com três filhos, está organizando um grupo de compras conjuntas, formado por mães do colégio Porto Seguro, onde os filhos estudam, e amigas que moram no mesmo condomínio, localizado no bairro paulistano do Morumbi. “Quem diria que a gente iria sentar para pensar sobre isso?”

Camila prepara a lista para fazer a primeira compra conjunta este mês em uma loja de atacarejo, que mistura o atacado com varejo, vendendo em grandes quantidades, mas com preços mais em conta. Camila disse que todas as participantes do grupo têm situação financeira confortável e seus maridos têm emprego estável. A decisão de reorganizar os gastos tem como principal objetivo manter o padrão de consumo. “Tudo aumenta, mas o salário não. Além disso, ninguém sabe o que vem pela frente.”

Desde setembro do ano passado, a produtora cultural Luli Hunt, de 51 anos, duas primas e uma vizinha do bairro paulistano de Sumaré mudaram seus hábito de compra: formaram um grupo e trocaram o supermercado pelo atacarejo. “Comprando grandes quantidades, consegui uma economia de 35% a 50%, dependendo do produto”, disse Luli.

Fazer compras em conjunto foi a saída encontrada pela produtora cultural para amenizar os impactos da crise. “A classe média está arrochada”, disse Luli, que já fechou seu escritório, reduziu o número de empregados e voltou a trabalhar em sua casa.

Ceagesp. A alternativa de formar grupos de compra para driblar a inflação está se disseminando também na Ceagesp, o maior entreposto de alimentos in natura do País. Desde dezembro, a empresária Raquel Luccat, de 51 anos, que mora no bairro paulistano de Higienópolis, tem comprado frutas no atacado da Ceagesp para um grupo de oito pessoas, que reúne amigas e vizinhas. “Fiz a primeira compra por causa da crise, tive a iniciativa e avisei as pessoas”, contou. Ela disse que se inspirou em sua mãe – trinta anos atrás, quando a inflação era galopante, sua mãe costumava fazer compras conjuntas de frutas e verduras.

Raquel explicou que, ao contrário das compras em conjunto de itens industrializados no atacarejo, ela não tem uma lista fixa de produtos. “Compro o que tem”, disse ela. Da última vez, ela levou para casa uma caixa de maçãs argentinas de 20 quilos. Cada fruta saiu por cerca de R$ 1, bem mais em conta do que no varejo, cujo preço da unidade estava em torno de R$ 4. Nas suas contas, a economia varia entre 50% e 70%.

José Roberto Graziano, diretor do sindicato dos permissionários da Ceagesp, o Sincaesp, notou, nos últimos tempos, um aumento no número de consumidores que compram no atacado para uso próprio. De certa forma, esses ‘novos’ compradores estão atenuando a queda de 20% nas vendas dos últimos 12 meses no atacado.

Para se adaptar aos novos tempos da economia, na semana passada, a administração da Ceagesp autorizou que cada consumidor use o seu próprio carrinho para carregar as mercadorias. Antes, o comprador só podia remover a mercadoria carregando nos braços ou contratando um carregador autônomo que chegava a cobrar pelo serviço quase o valor das compras. 

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