Wilson Dias/Agência Brasil
Wilson Dias/Agência Brasil

Contra PEC da Previdência, oposição anuncia obstrução inclusive para votação do Orçamento

Os deputados ameaçam não só impedir a votação de projetos na Casa como avisam que estão dispostos a atrapalhar a sessão do Congresso Nacional, marcada para esta terça-feira

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 16h15

BRASÍLIA - A oposição anunciou na tarde desta terça-feira, 12, que fará uma obstrução "dura" para evitar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Os deputados ameaçam não só impedir a votação de projetos na Casa como avisam que estão dispostos a atrapalhar a sessão do Congresso Nacional, marcada para esta terça-feira. 

"Nossa obstrução é para paralisar o Congresso, principalmente a sessão do Congresso. Se não recuarem, não vamos deixar votar nem o Orçamento. É paralisação política mesmo", anunciou o líder da Minoria, José Guimarães (PT-CE).

O petista disse que o governo não tem coragem de anunciar a data de votação da PEC porque não tem os 308 votos necessários para aprová-la. Guimarães informou que se o governo desistir de colocar o tema em votação antes do recesso, a oposição vai retirar a obstrução. O grupo de partidos - formado por PT, PCdoB, PDT, Rede, PSOL, PHS e PSB - diz ter 270 votos contra a PEC. "Estamos seguros que vamos derrotar o governo se insistir em votar isso no plenário", emendou Guimarães.

++Michel Temer admite que votação da reforma da Previdência pode ficar para fevereiro de 2018

O bloco já colocou em prática a decisão de inviabilizar os trabalhos na Casa. Neste momento, o plenário tenta retomar a votação dos destaques do projeto de lei que estabelece o parcelamento das dívidas de produtores e empresas com o Funrural - espécie de contribuição previdenciária que incide sobre a receita da comercialização da produção. Os governistas não estão conseguindo garantir o quórum mínimo para acelerar a votação. 

++Confira o Placar da reforma da Previdência

Desde segunda-feiram 11, a oposição conta com a mobilização de militantes e sindicalistas para convencer parlamentares a não apoiar a PEC. Um grupo de militantes segue em greve de fome há oito dias na Câmara. Outro grupo faz protestos no aeroporto de Brasília na recepção de deputados que chegam para a semana decisiva da Reforma da Previdência. Na segunda-feira, 11, o Estadão/Broadcast Político flagrou militantes da Contag recebendo com vaias o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PPS-SP), e aplaudindo Miro Teixeira (Rede-RJ), parlamentar contrário à PEC.

O líder do PT, Carlos Zarattini (SP), disse que as mobilizações continuarão, inclusive com a expectativa de greve no transporte público de São Paulo. O deputado criticou a vinda de 150 empresários para pressionar parlamentares. "Esse projeto só interessa aos mais ricos, aos grandes empresários e ao capital financeiro", concluiu. 

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