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Convergência ominosa de indicadores econômicos

O Estado de S.Paulo

13 Junho 2014 | 02h 03

A presidente Dilma pode achar que é pessimismo de economistas "do contra", pode achar que é má vontade da imprensa com seu governo e com ela, que é insídia do PSDB, mas o fato é que os indicadores da economia estão marchando unidos numa só direção, a do enfraquecimento do PIB, da atividade e do emprego.

Um dos mais recentes, o da Federação do Comércio de São Paulo, registrou queda de 3,9% em maio, em relação a abril, do Índice de Confiança do Empresariado do Comércio. É a quarta queda mensal consecutiva. O Índice se aproxima, com 104,2 pontos, da fronteira do pessimismo. Ele varia de zero a 200 pontos, e a marca dos 100 pontos separa o otimismo (acima de 100) do pessimismo (abaixo de 100).

O Boletim Diário Matinal do Bradesco, do dia 11 último, por sua vez, sugeria que o clima da economia está bem menos festivo que o da Copa, a começar da produção de motocicletas, que caiu 5,2% em maio, em relação a abril, segundo informações da Abraciclo, e as vendas exibiam queda de 11,6%. As informações davam conta, ainda, de que a indústria de cimento apresentava uma queda de vendas, no mês, de 1,6%, respondendo, portanto, a uma visível retração nos planos de lançamento de imóveis novos nas capitais, pois, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC) a expectativa é de alguma desaceleração neste segundo trimestre do ano, refletindo não só o menor número de lançamentos imobiliários, como o término dos projetos vinculados à Copa do Mundo.

Certamente, as notícias sobre os problemas de financiamento para obras rodoviárias, que fazem parte do programa de concessões do governo, geram incertezas no setor cimenteiro e uma expectativa desfavorável para novos investimentos na produção dessa área.

A propósito, uma informação importante vem da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), segundo a qual o fluxo de veículos pesados registrou contração de 0,6% em maio, após duas quedas mensais consecutivas. Em outras palavras, há menos carga pesada trafegando pelas estradas brasileiras, o que denota o enfraquecimento, já observado, da produção e da atividade na indústria em geral, na qual, pior do que a queda acima mencionada da produção de motos, é a estagnação, há meses, das vendas internas da indústria automobilística, o carro-chefe do desempenho de todo o setor secundário da nossa economia.

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