Reuters/ Pawel Kopczynski
Reuters/ Pawel Kopczynski

Copa e Olimpíada fazem rede hoteleira crescer 15% em cinco anos

Megaeventos e desenvolvimento econômico de algumas regiões ajudaram a impulsionar o setor, mesmo com a crise econômica

Daniela Amorim e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2017 | 10h27

RIO - Os megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 no Rio, ajudaram a aumentar a oferta de hospedagem no País nos últimos cinco anos. O desenvolvimento econômico de algumas regiões a despeito do ciclo de recessão atual também foi preponderante para impulsionar a rede de hotelaria, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em cinco anos, houve crescimento de 15% no número de estabelecimentos de hospedagem nas capitais brasileira, enquanto o total de leitos cresceu 15,4%, segundo os dados da Pesquisa de Serviços de Hospedagem 2016, divulgada hoje pelo IBGE.

"Houve um aumento no número de estabelecimentos e leitos nas capitais como um todo, independentemente de estarem sediando jogos da Copa do Mundo ou Olimpíada. Teve toda uma política de incentivo à criação e leitos, claro, mas foi também o próprio crescimento econômico que fez com que se demandasse uma oferta maior de hospedagem", observou Luiz Andrés, analista da pesquisa no IBGE.

Em 2016, a rede hoteleira estava maior em praticamente todas as capitais que sediaram jogos de futebol pela Copa do Mundo, sediada pelo Brasil em 2014. A base de comparação era o ano de 2011, quando o País já se preparava para os jogos de futebol e olímpicos.

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As únicas cidades-sede com recuos foram Curitiba, com 3,8% leitos a menos, e Natal, com redução de 4,7%. "Infelizmente não temos acompanhamento anual para saber se a oferta de hospedagem cresceu até a Copa e depois caiu", lamentou o pesquisador do IBGE. Os avanços mais relevantes nos leitos disponíveis foram registrados em Brasília (44,7%), Rio de Janeiro (23%) e São Paulo (9,3%).

"No Rio de Janeiro os eventos podem sim ter contribuído para um crescimento maior do que a média, porque ainda teve a Olimpíada em 2016", confirmou Andrés. Em 2009, quando o Brasil ganhou o direito de sediar os Jogos Olímpicos, a cidade do Rio se comprometeu a ter uma rede hoteleira com 40 mil quartos, praticamente o dobro do que possuía - e atingiu a meta.

"Brasília foi sede da Copa, mas pela questão política e por ser a capital do Brasil, a região tem uma capacidade maior de atrair eventos. O aumento no número de estabelecimentos foi menor, mas são hotéis com muitos quartos, muitos leitos", completou.

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Entre as capitais com crescimento expressivo impulsionado pelo desenvolvimento local estão Palmas (53% a mais de leitos), Belém (com aumento de 58%), Campo Grande (45,3%) e Rio Branco (34,7%), entre outras. "Palmas deveria ter um crescimento limitado, mas foi o crescimento da cidade que provocou essa demanda por mais oferta de hospedagem", reforçou Andrés.

Em 2016, o Brasil tinha 31.299 estabelecimentos de hospedagem, sendo 47,9% deles hotéis, 31,9% de pousadas e 14,2% de motéis. As acomodações mais informais detinham menor participação, como as pensões, cama e café ou pousadas domiciliares (2,0%), apart-hotéis (2,0%), albergues turísticos (1,4%) e outros tipos de acomodações, como campings, dormitórios, hospedarias, etc. (0,6%).  Esses estabelecimentos possuíam 1,011 milhão de unidades habitacionais (suítes, quartos ou chalés) e 2,408 milhões de leitos.

A maior parte da rede hoteleira do Brasil estava no Sudeste: com 41,8% dos estabelecimentos, 43,8% das unidades habitacionais e 43,1% dos leitos disponíveis. Em segundo lugar vinha o Nordeste, com 23,6% dos estabelecimentos, 21,7% das unidades habitacionais e 22,4% dos leitos. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia concentraram a maior parte da oferta de hospedagem: 48,0% do total de estabelecimentos, 48,8% das unidades habitacionais e 48,7% dos leitos disponíveis.

A média nacional foi de 32 unidades habitacionais e 77 leitos por estabelecimento de hospedagem. Rondônia tinha a maior proporção de hotéis em sua rede de hospedagem (73,9%), seguida por Mato Grosso (70,3%), Acre (69,1%) e Pará (68,9%). As pousadas predominavam em Alagoas (54,1%), Rio Grande do Norte (51,9%), Rio de Janeiro (50,5%) e Bahia (50,0%). Os motéis foram mais frequentes no Amapá (26,4%) Pernambuco (22,9%), Acre (21,8%) e Piauí (21,0%).

No ano de 2016, apenas 15,4% dos estabelecimentos de hospedagem do país eram de grande porte, detinham 50 ou mais unidades habitacionais. O Distrito Federal tinha a maior proporção (36,2%) de estabelecimentos de grande porte, seguido por Paraná (20,2%), São Paulo (18,8%) e Santa Catarina (18,0%). Já os estabelecimentos de menor porte, com até 19 unidades habitacionais, foram mais predominantes em Roraima (56,7%), Piauí (56,1%), Ceará (54,4%), Alagoas (51,0%) e Bahia (50,2%).

O Brasil tinha uma média de 15 estabelecimentos, 491 unidades habitacionais e 1.168 leitos por 100 mil habitantes. A menor estrutura de hospedagem em relação à população encontra-se no Maranhão, com oito estabelecimentos, 232 unidades habitacionais e 522 leitos por 100 mil habitantes.

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