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Copom pega carona em ‘boas novas’

Contando com um pouquinho de sorte, o comitê logrou grande sucesso em seus objetivos

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Fernando Dantas

11 Janeiro 2017 | 21h09

No complexo xadrez da política monetária, o Copom fez um movimento importante e relativamente ousado ao acelerar o ritmo de corte da Selic de 0,25 ponto porcentual, nas reuniões de outubro e novembro, para 0,75 ponto na decisão unânime tomada nesta quarta-feira, 11. A história pode ser resumida de forma simples. Desde que Ilan Goldfajn assumiu a presidência do BC, em junho, o trabalho básico da autoridade monetária vinha sendo o de recuperação de credibilidade e reancoragem das expectativas inflacionárias.

Retardando a derrubada da Selic em meio a uma recessão de históricas proporções, aprimorando a comunicação do BC com o mercado e a sociedade, e contando com um pouquinho de sorte, o Copom logrou grande sucesso naqueles objetivos. De forma impensável há alguns meses, a inflação de 2016 foi de 6,29%, abaixo do teto de tolerância do regime de metas, de 6,5%. A inflação projetada para 2017 caiu para 4,8%, próxima à meta de 4,5%; e a projetada para 2018 desceu a 4,5%.

De forma paradoxal, mas comum no Brasil, o sucesso do BC foi a senha para o início do inferno astral de Ilan e seus companheiros. Como a inflação está cedendo, todos passaram a culpar o Copom pela intensidade e extensão da recessão – afinal, segundo esse raciocínio torto, para que juro alto se a inflação está sob controle?

Mas também há, do ponto de vista técnico, uma discussão relevante sobre quanto acelerar o ritmo de cortes. São muitos os fatores envolvidos, mas dois se destacam. O primeiro é a inflação de serviços, a mais difícil de combater, que vinha caindo muito pouco. O segundo são as confusões que Donald Trump pode aprontar e seus impactos negativos na economia mundial.

Nos últimos dias, as notícias têm sido animadoras em relação aos dois fatores. A inflação de serviços parece estar cedendo para valer e cresce a impressão (a confirmar) de que a presidência de Trump pode não ser todo o desastre para a economia global que se pintou. O Copom tomou carona nessa onda de boas novas e apertou com força o acelerador da redução dos juros. Em alguns meses, ficará claro se a decisão foi correta.

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