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Economia

Celso Ming

Copom polêmico

A principal questão consiste em saber qual seria a eficácia dessa nova esticada dos juros básicos que deve vir na próxima quarta-feira

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Celso Ming

18 Janeiro 2016 | 21h00

Qualquer que seja ela, será polêmica a decisão sobre os juros básicos (Selic) a ser tomada nesta quarta-feira.

Os recados sucessivos passados por dirigentes do Banco Central (BC) são de que haverá nova alta de juros. Em princípio, não deverá ser uma operação pontual, como se fosse destinada a simples correção, mas o início de mais um processo de ajuste, que poderá ter novas altas.

Seria novo aperto a ser produzido numa economia que enfrenta juros entre os mais altos do mundo, quando o sistema produtivo está em franca retração. A justificativa é a de que a inflação muito acima do teto da meta segue resistente e espalhada e que, nessas condições, o BC terá de trabalhar para encolher a demanda.

Não está clara a dosagem dos juros a ser colocada em prática, se de 0,5 ponto porcentual ou se de apenas 0,25, mas essa não é a questão central.

A principal questão consiste em saber qual seria a eficácia dessa nova alta. Certos economistas de esquerda, identificados com posições fundamentalistas, têm se manifestado contra novas mordidas dos juros, por entender que, além de fazer o jogo dos rentistas e dos banqueiros, acentuaria a recessão, já braba demais. O PT já condenou previamente iniciativa nesse sentido.

Mas também economistas ortodoxos vêm criticando pressões por nova alta de juros. Há duas posições principais. Há os que entendem, como a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington, que a inflação já não responde aos estímulos da política monetária (política de juros), porque o momento é de “dominância fiscal”, situação em que, além de não combater a inflação, uma alta dos juros aumentaria o desequilíbrio das contas públicas.

Outro grupo de economistas, entre os quais o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore e o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, olha ou para o forte hiato do produto (retração da produção) ou para a fraqueza da demanda, e entende que uma nova alta de juros, além de aumentar mais a dívida, trará mais custos do que benefícios.

Seja como for, o principal problema desta diretoria do BC não é a polêmica em torno de suas decisões, mas seu déficit de credibilidade, que se acentuou em agosto de 2011, quando tomou a decisão de derrubar os juros para estimular artificialmente a demanda, justamente quando a inflação começava a empinar.

E a credibilidade também ficou prejudicada quando, em seus comunicados, insistiu e continua insistindo em que a desastrada política fiscal do governo Dilma tendia e continua tendendo a ser neutra em relação à produção de inflação.

No início deste mês, o presidente do BC, Alexandre Tombini, teve de encaminhar carta pública ao ministro da Fazenda para se explicar por que não conseguiu conter a inflação sob o teto da meta (6,5%). Para este ano, o Banco Central continua projetando uma inflação abaixo do teto da meta (6,2%), quando a mediana do mercado aponta para um estouro: inflação de 7,0%, como mostrou o último Boletim Focus. Ou seja, o BC não vem conseguindo administrar as expectativas de quem remarca preços.

CONFIRA:

O mercado continua projetando para 2016 inflação acima do teto da meta, acima de 6,5%. E também aposta em nova queda do PIB, de quase 3,0%.

 

A baixa continua

No seu relatório mensal divulgado nesta segunda-feira, a Opep externou o ponto de vista de que o mercado internacional do petróleo começará a se reequilibrar ainda em 2016. Depois de pequena reação de alta, o mercado indicou que não põe muitas fichas nessa aposta. Ao contrário, continua apreensivo de que o despejo da produção do Irã derrubará ainda mais as cotações. Nesta segunda-feira, a queda do Brent foi de 1,35%.

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