ALEX SILVA / ESTADÃO
ALEX SILVA / ESTADÃO

Copom vê como apropriado mais um corte na taxa de juros

Para Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, próxima redução na taxa básica de juros deve marcar fim do ciclo de cortes

Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2018 | 22h11

BRASÍLIA- O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, apresentou nesta terça-feira, 10, à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado as conclusões da autoridade monetária que constavam no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

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No mês passado, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 6,5% ao ano, o piso histórico da taxa básica de juros. Goldfajn lembrou que o Copom sinalizou uma flexibilização monetária moderada adicional na próxima reunião, o que  serviria para mitigar o risco de a inflação não convergir à meta perseguida pelo BC, de 4,5% com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 3,0% e 6,0%). Atualmente, a inflação medida pelo IPCA está em 0,70% no acumulado de 2018 até março. 

“Essa visão para a próxima reunião pode se alterar e levar à interrupção do processo de flexibilização monetária, no caso dessa mitigação se mostrar desnecessária”, ponderou o presidente do BC.

Para reuniões além da próxima, ele citou que o Copom sinalizou como adequada uma interrupção dos cortes na Selic, para que o BC possa avaliar os próximos passos da política monetária. “O processo atual de flexibilização tende a estimular a economia”, completou.

Ele disse aos senadores que as projeções do Copom corroboram a expectativa de convergência da inflação para a meta. “A inflação projetada para 2018 e próximos anos está sob controle”, enfatizou, ao citar que o cenário de mercado considerado pelo BC no último RTI aponta para o IPCA em 3,8% em 2018, 4,1% em 2019 e 4,0% em 2010.

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“No ambiente doméstico, ressalto a conjunção de três fenômenos positivos que têm caracterizado a evolução de nossa economia desde o ano passado: a redução da inflação; a queda das taxas de juros; e a recuperação da economia”, afirmou, lembrando a projeção de mercado de alta do PIB em 2,8% em 2018 e 3,0% em 2019.

Já em relação à economia internacional, ele repetiu que o cenário externo tem se mostrado ainda favorável, na medida em que a atividade econômica cresce globalmente. “Apesar de o cenário internacional encontrar-se ainda benigno, não podemos contar com essa situação perpetuamente. O Brasil tem amortecedores robustos e, por isso, está menos vulnerável a choques internos ou externos”, garantiu.

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Goldfajn citou o estoque de reservas internacionais e um menor volume de swaps cambiais, que funcionariam como um seguro em momentos turbulentos do mercado. “Com isso, o BC dispõe de mais espaço para combater eventuais choques”, completou.

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