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Corte de subsídios aumentará inflação na Argentina em até 9 pontos

Medida é incompatível com a meta do governo de uma elevação nos preços de 20% a 25% neste ano

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Rodrigo Cavalheiro, correspondente,
O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2016 | 08h48

BUENOS AIRES - O corte de subsídios de 1,5% do PIB que o governo de Mauricio Macri pretende concretizar este ano terá um impacto de 9 pontos porcentuais na inflação, segundo relatório do economista Miguel Bein. A medida seria incompatível com a meta do governo de um aumento de preços de 20% a 25% para 2016. Os opositores acusam Macri de jogar a previsão para baixo com objetivo de oferecer esse reajuste na renegociação de salários com os sindicatos, que ocorre em março. Consultorias ligadas ao governo preveem que inflação deve beirar os 40%.

Embora tenha sido um dos responsáveis pelo plano econômico do rival de Macri na última eleição, o peronista Daniel Scioli, Bein mostra algum otimismo em razão do ambiente internacional. Ele prevê que “o apetite por risco dos mercados - mesmo que seletivo diante da maior volatilidade - e a baixa dívida no mercado poderiam ajudar a escrever uma história de recomendações de compra na Argentina nos próximos meses”.

A base para essa previsão são “as baixas taxas de juros nos mercados, diante das dificuldades do Banco Central americano para acelerar o aumento das taxas, bem como a injeção de liquidez dos bancos centrais da zona do euro e Japão”. Isso abriria uma janela para alavancar a economia argentina, segundo ele.

Chefe de uma das consultorias mais respeitadas do país, Bein reconhece que o acesso a financiamento depende da negociação com os chamados “fundos abutres”, apelido dado pelo kirchnerismo aos credores que não aceitaram a renegociação da dívida argentina. Eles conseguiram bloquear o pagamento dos demais credores na Justiça americana, colocando o país em calote parcial em 2014. O governo de Macri apresentará uma proposta aos fundos na segunda-feira. 

Segundo o analista político Raúl Aragón, a aposta de Macri para destravar a economia começou com a melhora da rentabilidade do setor produtivo, beneficiado com a redução em dezembro de taxas para o setor agropecuário. O segundo passo do plano seria aumentar os postos de trabalho e, com isso, poder cortar os subsídios. “A redistribuição de riqueza viria dos salários, não da ajuda estatal”, diz Aragón. O aumento da massa salarial teria impacto no consumo, que fecharia o ciclo com mais aumento na produção e mais postos de trabalho, analisa. 

O sucesso do plano dependerá agora do reflexo desse corte de subsídios não gradual, com aumentos superiores a 300%, na popularidade de Macri, positiva para 67% da população de acordo com o instituto Poliarquía.

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