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Cotação do petróleo tem novo tombo e atinge mínima em mais de 10 anos

Commodity chegou a ficar cotada abaixo de US$ 30 ao longo do dia, mas depois devolveu parte das perdas

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Danielle Chaves,
O Estado de S.Paulo

12 Janeiro 2016 | 18h44

Os preços do petróleo voltaram a cair, revertendo as altas da manhã. Em Nova York, o petróleo chegou a ser negociado a menos de US$ 30 por barril, o que não acontecia desde dezembro de 2003. Na Europa, o petróleo Brent - referência para a Petrobrás, por exemplo - caiu ao nível mais baixo desde abril de 2004. Os preços do petróleo caíram pelo sétimo dia consecutivo, o que não acontecia desde junho de 2014, e a perda acumulada em 19 meses consecutivos de baixas chega a 70%.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para fevereiro fecharam a US$ 30,44 por barril, nível mais baixo desde 1º de dezembro de 2003, com queda de US$ 0,97 (3,09%). A mínima foi em US$ 29,93 e máxima em US$ 32,21. Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do petróleo Brent para fevereiro fecharam a US$ 30,86 por barril, nível mais baixo desde 5 de abril de 2004, com queda de US$ 0,69 (2,19%); a mínima foi em US$ 30,34 e máxima em US$ 32,38. 

Traders disseram que persistem as preocupações com a perspectiva da economia chinesa, num cenário de excesso de oferta global do produto, e que o "gatilho" para a reversão dos preços no começo da tarde foi a retomada da alta do dólar no mercado de moedas.

Pela manhã, os preços ensaiaram uma recuperação em reação à estabilização dos mercados na China - onde a Bolsa de Xangai subiu 0,20% e a de Shenzhen avançou 0,39%; o yuan subiu a 6,5750 por dólar no mercado de balcão de Xangai, de 6,5822 por dólar ontem.

Os preços chegaram a subir 1% depois de o ministro do Petróleo da Nigéria, Emmanuel Ibe Kachikwu, dizer que alguns países membros da Opep estão pressionando o cartel a realizar uma reunião de emergência no primeiro trimestre "se os preços permanecerem nos níveis atuais"; ele afirmou que dois países membros propuseram um encontro emergencial antes da próxima reunião regular da Opep, marcada para 2 de junho.

Os preços passaram a cair depois de o dólar, que havia devolvido parte dos ganhos recentes durante a madrugada, retomar seu movimento de alta. Além disso, o ministro do petróleo dos Emirados Árabes Unidos, Suhail bin Mohammed al-Mazrouei, disse não ver necessidade de uma "medida artificial" por parte da Opep e afirmou que a estratégia de conduzir os preços para baixo, de modo a tirar do mercado os produtores de custos mais altos, "está funcionando".

À tarde, o Departamento de Energia dos EUA (DoE) divulgou relatório prevendo que a produção norte-americana de petróleo bruto caia para 8,7 milhões de barris por dia neste ano e para 8,5 milhões de barris por dia em 2017, de 9,4 milhões de barris por dia em 2015. A oferta global de petróleo deverá alcançar 95,93 milhões de barris/dia neste ano e 96,69 milhões de barris/dia em 2017, de 95,71 milhões de barris/dia no ano passado.

O relatório diz que o preço médio do petróleo bruto produzido nos EUA deverá ficar em US$ 38,54 por barril neste ano; a previsão anterior era de US$ 50,89 por barril. Para 2017, o DoE prevê um preço médio de US$ 47 por barril. No caso do petróleo Brent, produzido no Mar do Norte e mais consumido na Europa, o DoE prevê que o preço médio fique em US$ 40,15 por barril neste ano, de US$ 55,78 por barril na previsão anterior, e em US$ 50 por barril em 2017.

Essas projeções contrastam com as previsões divulgadas nos últimos dias por analistas dos grandes bancos.Tanto o Morgan Stanley como o Société Générale e o Barclays reduziram ontem suas previsões para os preços médios do petróleo em 2016. Os analistas do Morgan Stanley disseram que se o dólar subir mais 5%, o preços do petróleo poderão cair mais 10% ou até 25%. "O excesso de oferta fez os preços caírem abaixo de US$ 60, mas a diferença entre o petróleo a US$ 55 e a US$ 35 resulta primariamente da alta do dólar, em nossa opinião. Tendo em vista a apreciação contínua do dólar, cenários de petróleo a US$ 20 ou a US$ 25 são possíveis simplesmente por causa do câmbio", diz a nota.

Na semana passada, o Royal Bank of Scotland havia sugerido que o preço do petróleo poderá cair a US$ 16 por barril; nesta segunda-feira, o Standard Chartered divulgou nota dizendo que "os preços poderão cair até a US$ 10, antes que a maioria dos gestores de fundos de curto prazo admita que as coisas foram longe demais".

"A equação dominante da oferta e da demanda encorajou um movimento dramático de vendas que não vai terminar logo, com um excesso persistente e agressivo de oferta reduzindo consistentemente o interesse do investidor, ao mesmo tempo que previsões mais fracas sobre o crescimento da economia global pesam sobre a demanda. E é provável que mais rebaixamentos de previsões por parte de grandes instituições aconteçam no começo deste ano", disse o analista Jameel Ahmad, da FXTM.

Fonte: Dow Jones Newswires. 

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