‘Crédito restrito afeta geração de emprego’

‘Crédito restrito afeta geração de emprego’

Para a economista, o cenário estável indica retomada, mas a recuperação das empresas vai ser lenta

Entrevista com

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2017 | 05h00

Em meio a um cenário de queda dos juros e inflação controlada, a liberação de crédito para as empresas ainda continua baixa. Para a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, essa retomada ainda vai ser lenta. “O canal do crédito não está normalizado ainda. Isso, obviamente, tem impacto na atividade econômica. O cenário macroeconômico vai ficar mais claro daqui para frente. A dúvida é como vai voltar e qual a intensidade. O crédito para pessoa jurídica tem implicações importantes na economia, com a geração de emprego e renda.” 

Houve um descolamento na liberação de crédito, que está maior para pessoa física. Os bancos ainda temem a crise? 

A queda do crédito foi muito maior para pessoa jurídica do que para pessoa física. Isso tem a ver com risco. Vimos uma explosão de pedidos de recuperação judicial e aumento de inadimplência das empresas. Temos de lembrar que os pedidos de recuperação judicial têm uma insegurança jurídica grande. Os bancos não emprestam neste cenário porque temem não recuperar o dinheiro. 

Mas a crise afetou os consumidores, gerando desemprego...

Isso não foi na mesma intensidade. A inadimplência (para pessoa física) não foi tão alta. O crédito para pessoa jurídica caiu muito mais e a volta agora é mais lenta. Para pessoa física, o quadro é melhor. Houve aumento do crédito consignado. Vale lembrar, porém, que esse crescimento tem a ver com a mudança da legislação, que ficou mais flexível.

O BNDES tem emprestando menos. É reflexo da nova política econômica?

No caso do BNDES, acho que tem a ver com a demanda. O volume de consultas caiu. Empresas buscam mais crédito para fazer investimento. Ninguém está investindo ainda. Importante ressaltar que o BNDES tem tanto crédito direto, para as grandes empresas; e a outra metade é liberada por meio de outros bancos, que analisam riscos. 

Qual o impacto do crédito restrito às empresas no mercado?

O crédito é essencial porque estimula a economia, cria emprego e renda. O governo está tentando aperfeiçoar ambiente regulatório. O volume de pedidos de recuperação judicial caiu em relação a 2016, mas ainda é alto sobre 2015. 

Há incertezas sobre 2018? 

Eleição é eleição. Nunca o curto prazo foi tão importante quanto agora. A agenda é urgente para o País e não podemos errar na eleição de 2018 Tem muita coisa em jogo. Um ambiente tumultuado vai atrapalhar os investimentos e geração de emprego. Mas tem tido amadurecimento. O lado bom de acabar o dinheiro é que faz com que o discurso político seja mais responsável. Não há espaço para populismo. 

Mais conteúdo sobre:
Crédito Economia de Mercado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.