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Cresce a proporção de jovens ‘nem nem nem’

Taxa passou de 15% em 2009 para 17,4% em 2012; perfil pesquisado nem estuda, nem trabalha e nem procura emprego

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Daniela Amorim, Idiana Tomazelli,
O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2015 | 08h02

RIO - Desde o início dos anos 90, a proporção de jovens “nem nem nem” (nem estuda, nem trabalha, nem procura emprego) vinha caindo na população brasileira. Nos últimos anos, porém, esse processo se inverteu. Eles, que eram 15% das pessoas entre 18 e 24 anos em 2009, saltaram para 17,4% em 2012, segundo levantamento do economista Gabriel Ulyssea, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), feito em parceria com a economista Joana Simões de Melo Costa com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. Embora a proporção ainda fosse menor do que em 1992 (20%), o ciclo de queda foi interrompido.

No ano passado, dando continuidade à expansão, 4,1 milhões de jovens entre 18 e 24 anos não trabalhavam, não estudavam e não procuravam emprego - 332,78 mil a mais do que dez anos antes, de acordo com outro estudo, conduzido pelo Ibre/FGV com base nos dados recentes da Pnad 2013. Como proporção, eles também avançaram: os inativos eram 18,1% da população com 18 a 24 anos há um ano. Boa parte dessa diferença é formada por jovens que concluíram ou pararam no meio do ensino médio. “Tem mais gente parando de estudar e não entrando no mercado de trabalho. Jovens ‘nem nem nem’ (aos 18 anos) com ensino médio incompleto eram 137 mil pessoas em 2003 e hoje são 313 mil”, conta Joana Monteiro, do Ibre.

Nesse grupo etário, 1,906 milhão dos “nem nem nem” (praticamente metade) tem ensino médio incompleto, idade em que essa fase escolar já deveria ter sido superada. A situação financeira atual mais confortável permite que os pais sustentem o filho na escola e diante dos percalços da vida de estudante.

Mesmo no caso de quem desiste no meio do ano letivo, a suspeita dos economistas é que a renda maior leve os pais a garantir uma chance a mais aos filhos. “Por mais que o filho saia (da escola), a mãe pensa ‘eu quero que ele volte e não que vá trabalhar’”, diz Joana. Outro 1,74 milhão de “nem nem nem” tem ensino fundamental incompleto.

Apesar de expressivo, esse contingente continuou a cair tanto em termos absolutos quanto em proporção da população total, em parte pelo aumento da escolaridade. Mesmo assim, Joana ressalta que essa população é preocupante, pois acaba muitas vezes excluída do mercado de trabalho pela baixa formação, tornando-se dependente de políticas sociais.

No caso de um freio maior no emprego, porém, tanto Ulyssea quanto Joana esperam uma nova redução do contingente de “nem nem nem”, engrossando a fila dos desocupados. “Quando o mercado de trabalho aperta, todo mundo volta a buscar emprego”, endossa a pesquisadora.

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