Crescimento saudável das importações

Bons sinais no início de 2018 apontam tendência de crescimento

O Estado de S.Paulo

03 Março 2018 | 03h00

A balança comercial de fevereiro apresentou superávits de US$ 4,9 bilhões, recorde para o mês, e de US$ 67 bilhões nos últimos 12 meses, resultado semelhante ao recorde de 2017. As exportações foram de US$ 17,3 bilhões e as importações, de US$ 12,4 bilhões. No primeiro bimestre, a corrente de comércio (soma de compras e vendas) subiu 13,8% em relação a 2017, bom sinal para o início do ano, quando o ritmo do comércio exterior é lento.

Alguns analistas ainda consideraram fraco o desempenho das importações, mas essa não é a avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que aponta para a tendência de crescimento mais rápido das compras do que o das vendas externas. No terceiro e no quarto trimestres de 2017, o aumento das importações atingiu 10,8% e de 16,4%, e foi de 15,1% no primeiro bimestre de 2018, comparativamente ao ano anterior. Nos mesmos períodos, as exportações cresceram 17,9%, 17,6% e 12,9%. A argumentação do Iedi ganha força quando se nota que as vendas externas de fevereiro foram ajudadas pela exportação fictícia de uma plataforma de petróleo (de R$ 1,5 bilhão).

As exportações de fevereiro foram lideradas por bens manufaturados, com destaque para pisos de revestimentos cerâmicos, bombas e compressores, tratores, máquinas para terraplenagem, autopeças, automóveis de passageiros e motores para veículos e partes, além de óleos combustíveis. As vendas de básicos foram afetadas pelas cotações internacionais das commodities, que caíram entre fevereiro de 2017 e de 2018.

Quanto às importações, cresceram as compras em todas as grandes categorias econômicas - bens de consumo (+21,3%), bens intermediários (+11,7%) e combustíveis e lubrificantes (+7,5%). O avanço das compras de bens de capital foi, porcentualmente, ainda maior (+24,4%), mas o valor dessas importações ainda é pequeno (US$ 1,27 bilhão, ou 10,2% do total de importações). Os destaques foram veículos de carga, motores elétricos, lâmpadas de LED, unidades de processamento digital, escavadoras, quadros de energia, máquinas e aparelhos mecânicos.

O aumento das compras de bens de capital é compatível com o da alta do investimento já notada no final de 2017. Mas essa alta, segundo o Iedi, ocorre em projetos de médio porte, voltados para atualização de máquinas e equipamentos.

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